Cascais: Memórias de Pedra e Cal (1364-2014)

Traçado da fortificação

O traçado da fortificação, de planta ovalada, seria reproduzido por Georg Braun e Frans...

Castelo
Vista panorâmica Cascais
Arquitetura Religiosa - Igreja de Nossa Senhora da Assunção

Em 1527 viviam cerca de 600 a 1 000 habitantes na vila e 1 200 a 1 900 no resto do concelh...

Arquitetura Religiosa - Igreja da Misericórdia

Ainda que se desconheça a data de fundação deste templo, a pequena capela dedicada a ...

Arquitetura Religiosa - Igreja da Misericórdia
Arquitetura Religiosa - Igreja da Misericórdia
Arquitetura Religiosa - Ermida de Nossa Senhora da Guia

Ainda que sob o arco triunfal desta ermida se encontre a lápide sepulcral de António Rib...

Arquitetura Religiosa - Ermida de Nossa Senhora da Guia
Arquitetura Religiosa - Ermida de Nossa Senhora da Guia
Arquitetura Religiosa - Igreja e Convento de Santo António

O convento foi edificado em meados do século XVI, no terreno doado, em 1527, à Ordem de ...

Arquitetura Religiosa - Igreja e Convento de Santo António
Arquitetura Religiosa - Igreja e Convento de Santo António
Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Domingos de Rana

Consagrada a S. Domingos de Gusmão, a antiga igreja é já referida como «sagrada de tem...

Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Domingos de Rana
Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Domingos de Rana
Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Vicente de Alcabideche

Este templo constitui um elemento estruturante do urbanismo de Alcabideche desde a Baixa I...

Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Vicente de Alcabideche
Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Vicente de Alcabideche
Arquitetura Religiosa - Igreja de Nossa Senhora dos Remédios

Em honra de Nossa Senhora dos Remédios, este templo com fachada do século XVII apresenta...

Arquitetura Religiosa - Igreja de Nossa Senhora dos Remédios
Arquitetura Religiosa - Igreja de Nossa Senhora dos Remédios
Arquitetura Religiosa - Convento de Nossa Senhora da Piedade

A capela do Fundador ou do Proto-Patriarca do Convento de Carmelitas Descalços, concluíd...

Arquitetura Religiosa - Convento de Nossa Senhora da Piedade
Fortificações

Por se reconhecer que o Castelo, densamente habitado, já não cumpria as funções milita...

Fortificações - Fortaleza de Nossa Senhora da Luz
Fortificações - Forte de Santo António da Barra
Fortificações - Forte de Santo António da Barra
Fortificações - Forte de Santo António da Barra
Fortificações
Fortificações

Após a Restauração da Independência, em 1640, os portugueses investiram na fortificaç...

Fortificações

No dia 1 de novembro de 1755, um violento tremor de terra devastou o concelho de Cascais. ...

Arquitetura Vernácula

A privilegiada situação geográfica de Cascais, que se imporia enquanto porto de pesca, ...

Arquitetura Vernácula

Aos trabalhos agrícolas associa-se a gura do saloio, herdeiro da tradição árabe do ama...

Arquitetura Vernácula

A 30 de novembro de 1807 Cascais foi ocupado pelas tropas francesas de Junot, chefiadas pe...

Quintas e Palácios - Quinta do Barão

Esta Quinta, que remonta ao século XVIII, foi fundada por Jacinto Isidoro de Sousa. A sua...

Quintas e Palácios - Quinta do Barão
Quintas e Palácios - Palácio dos Condes da Guarda

Mandado edficar por D. Inês Antónia da Cunha, em nais do século XVIII, este palácio é...

Quintas e Palácios - Palácio dos Condes da Guarda
Quintas e Palácios
Quintas e Palácios - Paço de Cascais

A estada da família real consolidou-se a partir de 1870, na sequência da adaptação de ...

Quintas e Palácios - Paço de Cascais

O projeto de adaptação da Cidadela de Cascais enquanto residência sazonal da Família R...

Quintas e Palácios - Paço de Cascais
Teatro Gil Vicente e Paço Real

A partir de meados do século XIX, a moda dos banhos de mar, assente e, pressupostos terap...

Teatro Gil Vicente e Paço Real

Inaugurada a 19 de setembro de 1869, a expensas de Manuel Rodrigues Lima, esta sala de esp...

Arquitetura de Veraneio - Casa Palmela

Face à escassez de alojamentos dotados das condições exigidas pelos vilegiaturistas, ha...

Arquitetura de Veraneio - Casa Palmela

Mandada edificar sobre o antigo baluarte seiscentista de Nossa Senhora da Conceição pelo...

Arquitetura de Veraneio - Casa de Santa Maria

A instalação da família real pareceu tornar a vila verdadeiramente merecedora do caminh...

Arquitetura de Veraneio - Torre de S. Sebastião

Este palacete, que Jorge O’Neill mandou construir no início do século XX, constitui um...

Arquitetura de Veraneio - Casa Maria Pia

O final do século XIX é também marcado pelo projeto de urbanização do Monte Estoril...

Saúde e Turismo - Hotel Palácio

A partir de 1890, a parede, localidade desde há muito associada à extração e preparaç...

Saúde e Turismo - Colónia Balnear Infantil de o Século

Em 1927, a Colónia Balnear Infantil de O Século acolheu trezentas crianças de famílias carenciadas nas antigas in...

Saúde e Turismo - Sanatório de Sant'Ana

O antigo Sanatório de Sant’Ana, atual Hospital Ortopédico de Sant’Ana, conserva a su...

Arquitetura Modernista

Mercê da oferta turística disponibilizada, o eixo Cascais-Estoril foi escolhido como loc...

Arquitetura Modernista - Correios do Estoril

O edifício dos Correios do Estoril, obra do arquiteto Adelino Nunes com projeto datado de...

Arquitetura Modernista - Bairro das Caixas de Previdência

A construção deste Bairro na Parede é ilustrativa da mudança da política habitacion...

Arquitetura Modernista - Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão

Com programa funcional desenvolvido pelo Dr. Santana Carlos e projeto de arquitetura conce...

Arquitetura Modernista - Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão
Cascais
Cascais: Memórias de Pedra e Cal (1364-2014)

Cascais: Memórias de Pedra e Cal (1364-2014)

650 Anos Vila de Cascais - 1364/2014

A origem do topónimo Cascais perde-se no tempo, ainda que na opinião do etimologista José Leite de Vasconcelos deva provir do substantivo cascal, remetendo-nos, assim, para a existência de montes de conchas e detritos calcários de crustáceos nas imediações da pequena aldeia de pescadores que veio depois a dar o nome ao concelho. Aninhado entre Sintra, Oeiras e o Oceano Atlântico, Cascais espraia-se por pequenas colinas e vales pouco acentuados, desde a encosta da serra até ao litoral, que se caracteriza por praias e arribas entre Carcavelos e Cascais, às quais se segue, da vila até ao Guincho, uma área geralmente de costa alta, rochosa e desgastada pela erosão, dando lugar, depois, a vastos areais e dunas. O município de Cascais tem hoje 97, 4 km2, sendo composto pelas freguesias de Alcabideche e S. Domingos de Rana e pelas uniões das freguesias de Cascais e Estoril e de Carcavelos e Parede.

 

É a evolução deste território, pontilhado de edifícios que traduzem de forma expressiva a riqueza da história, memória e identidade locais, que de dedica esta exposição, em nome da valorização de um património que importa preservar e partilhar. 

 

Geração após geração,

Cascais tem sabido repeitar as suas memórias

Raiz de um sucesso reconhecido nacional e internacionalmente, que também se traduz num extraordinário património arquitetónico que importa divulgar! 

 

Mostrar no mapa
Traçado da fortificação
Zoom > Ler mais

O traçado da fortificação, de planta ovalada, seria reproduzido por Georg Braun e Frans Hogenberg, em 1572, no primeiro volume de Civitates Orbis Terrarum, em belíssima gravura que parece representar a vila no início da centúria. As sete torres do castelo eram apoiadas, junto à Praia da Ribeira, por uma barbacã que defendia a única porta da muralha que se desenha, não obstante deverem existir outras, que apenas seriam representadas em plantas do final desse século. Já na torre sul se acoplavam duas construções, provavelmente as casas do senhor de Cascais, que estariam na génese do palácio que o Rei D. Filipe I tanto apreciaria, quando as visitou em 1581. O castelo e palácio foram profundamente afetados pelo terramoto de 1755 e pela subsequente evolução da malha urbana. Todavia, ainda hoje é possível identificar alguns elementos da antiga muralha, cujo perímetro inicial se representa em cartografia atual.

Castelo
Zoom
Vista panorâmica Cascais
Zoom
Arquitetura Religiosa - Igreja de Nossa Senhora da Assunção
Zoom > Ler mais

Em 1527 viviam cerca de 600 a 1 000 habitantes na vila e 1 200 a 1 900 no resto do concelho. Entre os testemunhos arquitetónicos dessa época destacam-se, pela sua imponência, riqueza e história, os edifícios religiosos, ainda que muitas vezes reconstruídos ou alterados em datas posteriores, de que constituem exemplos a Igreja de Nossa Senhora da Assunção e a Capela de S. Sebastião, em Cascais. Os elementos arquitetónicos reaproveitados na Igreja de S. Vicente de Alcabideche comprovam igualmente a sua vetusta fundação, à semelhança dos fechos de abóbodas da Igreja de S. Domingos de Rana. Destaque-se, ainda, a Capela de Nossa Senhora da Conceição da Abóboda, que preserva a mais bela pedra armoriada do concelho, datada de 1529, assim como a Igreja e Convento de Santo António do Estoril, fundada em 1527 pelos frades franciscanos sobre a ermida de S. Roque, com sepultura de Roque Lopes, piloto da Carreira das Índias e outras pedras tumulares datadas dos finais do século XVI. A Ermida de Nossa Senhor da Guia constitui outro exemplo da arquitetura religiosa quinhentista do concelho, erigida junto ao Farol que já funcionava em 1537, de forma a avisar os navegantes dos perigos da costa. Esta estrutura, já mencionada por Damião de Góis, em 1554, transformou-se, assim, num dos ícones da costa de Cascais, cuja enseada era descrita como o local «onde as naus de carga, ancoradas em porto amplo e seguro, esperam a maré e monção», não obstante as notícias de naufrágios que per- passam a história da região... Nesta época, o reforço dos laços sociais entre a comunidade conduziu à fundação de confrarias ou irmandades que se armaram enquanto associações de socorros mútuos, de cariz material e/ou espiritual, de que a Santa Casa da Misericórdia de Cascais, fundada a 11 de junho de 1551, constitui o mais importante exemplo no concelho. Para o efeito, a irmandade construiria um hospital, junto à Igreja da Misericórdia, que se manteve em atividade até 1942, por ocasião da inauguração do Hospital Condes de Castro Guimarães. Em 1594 assistir-se-ia ao início da construção, em Cascais, do Convento de Nossa Senhora da Piedade, sob o patrocínio do Senhor de Cascais, D. António de Castro, 4.o Conde de Monsanto, e de sua mulher, D. Inês Pimentel. Refira-se, por fim, a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios em Carcavelos, de fundação anterior ao terramoto de 1755, que constitui outra das jóias da arquitetura religiosa do concelho, continuando a marcar a antiga malha urbana da localidade. Embora se desconheça a data concreta e o contexto da sua fundação, é o mais emblemático templo da vila e aquele que mais se relaciona com o seu passado medieval, como o atestam as estelas discoides resgatadas do seu adro. Da presumível riqueza que a igreja ostentou no século XVI dá conta um notável conjunto de pintura antiga, de c. 1520-25, atribuível ao Mestre da Lourinhã, composto por quatro pinturas “primitivas” em madeira de carvalho, decerto do antigo retábulo-mor, que representam a Natividade, a Adoração dos Magos, a Virgem da Anunciação e o Anjo S. Gabriel. Destaca-se, ainda, o importante núcleo de pintura seiscentista, concebido por Josefa d’Óbidos entre 1672 e 1673 para o Convento da Piedade, que transitou para a Igreja Matriz após a extinção, ou a Última Ceia, pintada por Pedro Alexandrino de Carvalho para a Capela do Santíssimo Sacramento, irmandade que custeou a edificação do templo após o terramoto de 1755. Precioso é igualmente o revestimento azulejar integral das paredes da sacristia sul, obra datada de 1720 e estilisticamente atribuída ao Mestre P.M.P. Os seus painéis, tematicamente únicos e de grande erudição, representam temas do Antigo Testamento, retirados do Êxodo, do Livro dos Reis e do Livro de Josué, como a Travessia do Mar Vermelho e as cenas da Arca da Aliança. As composições, plenas de vigor, devem provir de uma das principais oficinas de produção de azulejo da Lisboa do reinado de D. João V, atestando a religiosidade e relativo desafogo financeiro da comunidade piscatória local, que deixou testemunho do seu patrocínio numa cartela sobre a porta de entrada na sacristia. No teto da nave, destaca-se, no medalhão central, a pintura Assunção de Nossa Senhora, da autoria de José Malhoa, datada de 1900. Também Pereira Cão aqui deixou testemunho da sua obra, num conjunto de azulejos produzidos em 1908.

Arquitetura Religiosa - Igreja da Misericórdia
Zoom > Ler mais

Ainda que se desconheça a data de fundação deste templo, a pequena capela dedicada a Santo André, forrada de azulejos, que alberga a pia batismal, possui uma lápide sepulcral datada de 1622. A sua antiguidade é, ainda, atestada pelas quatro tábuas que integravam o retábulo quinhentista, de 1590, da capela-mor da primitiva igreja, atribuído ao pintor Cristóvão Vaz: Cristo com a cruz às costas, Ressurreição, Nossa Senhora da Misericórdia e Visitação. Na capela-mor, adornada por pintura marmoreada, destaca-se a imagem da padroeira da irmandade: Nossa Senhora dos Anjos, escultura em madeira policromada do nal do século XVII. Mercê da destruição provocada pelo terramoto de 1755, o edifício seria reedi cado entre 1759 e 1781, cando, no entanto, por acabar as duas torres laterais da fachada.

Arquitetura Religiosa - Igreja da Misericórdia
Zoom
Arquitetura Religiosa - Igreja da Misericórdia
Zoom
Arquitetura Religiosa - Ermida de Nossa Senhora da Guia
Zoom > Ler mais

Ainda que sob o arco triunfal desta ermida se encontre a lápide sepulcral de António Ribeiro da Fonseca, datada de 1577, este edifício é, decerto, mais antigo, como o atestam diversos elementos arquitetónicos manuelinos, entre os quais se destaca o seu pórtico, antecedido por uma galilé com três arcos de volta perfeita. Na capela-mor salienta-se o notável revestimento azulejar do século XVIII, que cobre as paredes laterais até à altura das janelas, representando duas cenas marianas: O Nascimento de Cristo e A Assunção da Virgem. Já os altares colaterais estão forrados de painéis de azulejos do século XVII, sobre os quais se exibem duas pinturas sobre madeira com a representação da Adoração dos Pastores e da Adoração dos Magos, da autoria do pintor Cristóvão Vaz, parte do antigo retábulo do século XVI.

Arquitetura Religiosa - Ermida de Nossa Senhora da Guia
Zoom
Arquitetura Religiosa - Ermida de Nossa Senhora da Guia
Zoom
Arquitetura Religiosa - Igreja e Convento de Santo António
Zoom > Ler mais

O convento foi edificado em meados do século XVI, no terreno doado, em 1527, à Ordem de S. Francisco, por Luís da Maia. Inicialmente, a igreja era de nave única, vindo depois a ser enriquecida com três altares, entre os quais se destaca o consagrado a Nossa Senhora da Boa Nova. A destruição provocada pelo terramoto de 1755 conduziria à reconstrução do conjunto. Desta forma, três anos depois o altar-mor da igreja estava já concluído, bem como o projeto da nave, que incluía os três grandes janelões voltados a sul. No seu interior destaca-se um dos mais ricos acervos azulejares de todo o concelho, com particular relevo para os dois painéis que ladeiam a porta da igreja, da fase inicial rococó, representando episódios da vida de Santo António e ainda a intervenção pictórica do teto, realizada pelo pintor Carlos Bonvalot, em 1927, depois de um incêndio ocorrido no templo.

Arquitetura Religiosa - Igreja e Convento de Santo António
Zoom
Arquitetura Religiosa - Igreja e Convento de Santo António
Zoom
Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Domingos de Rana
Zoom > Ler mais

Consagrada a S. Domingos de Gusmão, a antiga igreja é já referida como «sagrada de tempo imemorial», por Frei Luís de Sousa, em 1623. A grande destruição provocada pelo terramoto de 1755 levou à construção do templo atual, cujas obras apenas seriam concluídas em 1838, data inscrita na torre sineira. De grande escala volumétrica, consentânea da arquitetura do seu tempo, carateriza-se por linhas simples e austeras, cujos pormenores decorativos foram reservados à fachada principal. O teto da nave era decorado com uma pintura de Pedro Alexandrino de Carvalho, que se perdeu por ocasião de obras promovidas em 1964. Do notável acervo pictórico do templo destaca-se o conjunto de pintura tardo-maneirista, único no concelho, assim como o grande painel da capela-mor com representação da Última Ceia, da autoria de Pedro Alexandrino de Carvalho.

Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Domingos de Rana
Zoom
Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Domingos de Rana
Zoom
Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Vicente de Alcabideche
Zoom > Ler mais

Este templo constitui um elemento estruturante do urbanismo de Alcabideche desde a Baixa Idade Média, como o revelam as estelas que monumentalizavam a cabeceira das sepulturas encontradas no antigo cemitério do adro, parcialmente escavado. A atual igreja é fruto de uma reconstrução iniciada presumivelmente em 1759, data inscrita sobre a porta principal, devendo ter sido concluída em 1780, ano a que remonta a Capela das Almas. A simplicidade do templo contrasta com a relevância do seu espólio artístico, de que se destacam as imagens de Santiago, S. Sebastião e S. João, do período tardo-medieval e o famoso tesouro da igreja, constituído durante séculos em honra de Nossa Senhora do Cabo, do qual faz parte uma cruz processional do século XV, que hoje se preserva no Museu Nacional de Arte Antiga.

Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Vicente de Alcabideche
Zoom
Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Vicente de Alcabideche
Zoom
Arquitetura Religiosa - Igreja de Nossa Senhora dos Remédios
Zoom > Ler mais

Em honra de Nossa Senhora dos Remédios, este templo com fachada do século XVII apresenta uma pouco habitual disposição planimétrica, que contraria a orientação canónica para poente, sendo os seus painéis azulejares, parcialmente saídos das mãos do pintor Gabriel del Barco, em 1690, considerados o mais impressionante exemplo da in uência hindu na azulejaria barroca portuguesa. Espoliado de parte do seu património durante a I República, o excecional acervo azulejar apenas se manteria por intervenção direta das autoridades, em 1918. Entre as suas alfaias religiosas, à guarda do Museu Nacional de Arte Antiga, merece especial destaque uma valiosa custódia do século XVIII.

Arquitetura Religiosa - Igreja de Nossa Senhora dos Remédios
Zoom
Arquitetura Religiosa - Igreja de Nossa Senhora dos Remédios
Zoom
Arquitetura Religiosa - Convento de Nossa Senhora da Piedade
Zoom > Ler mais

A capela do Fundador ou do Proto-Patriarca do Convento de Carmelitas Descalços, concluído em 1641, é o elemento mais bem conservado do primitivo edifício. O templo principal mantém, ainda, a planta em cruz latina, com transepto ligeiramente saliente e a capela-mor pouco profunda. Já as dependências conventuais foram muito alteradas ao longo dos tempos, nomeadamente ao nível do claustro e dos espaços comunitários especí cos que para aí con uíam, apenas identi cáveis ao nível do registo arqueológico. Muito dani cado pelo terramoto de 1755, continuou a albergar religiosos até 1834, ano em que foi extinto. Um pouco antes de 1873, tanto o edifício como a extensa cerca que se desenvolvia para ocidente, passaram para a posse dos Viscondes da Gandarinha, que construíram um conjunto de casas de veraneio a partir das pré-existências conventuais. O imóvel, propriedade municipal desde 1977, foi requali cado para a instalação do Centro Cultural de Cascais, em 2000, sob projeto do arquiteto Jorge Silva.

Arquitetura Religiosa - Convento de Nossa Senhora da Piedade
Zoom
Fortificações
Zoom > Ler mais

Por se reconhecer que o Castelo, densamente habitado, já não cumpria as funções militares, em 1488, o Rei D. João II ordenaria a construção, na ponta do Salmodo, da «Torre de Cascais, com sua cava, com tanta e tão grossa artilharia», que cedo se transformou na principal fortificação da vila. Esta estrutura, de transição entre o castelo medieval e a fortaleza abaluartada, encontra, pois, a sua principal mais-valia na localização junto ao mar, razão pela qual deve ter passado a ser conhecida por Torre de Santo António, por então assim se designar a costa do Estoril. Na madrugada de 30 de julho de 1580, o exército espanhol, comandado pelo Duque de Alba, desembarcou cerca de 1 500 homens entre o Cabo Sanxete e a Guia, atacando Cascais, a fim de conquistar Lisboa para colocar Filipe II no trono de Portugal. A fortaleza que defendia a vila foi tomada no dia seguinte, entre pilhagens não controladas. A 2 de agosto, aprisionado D. Diogo de Meneses, general supremo das tropas lusas por nomeação de D. António, Prior do Crato, era decapitado em Cascais, numa cerimónia destinada a demonstrar aos portugueses qual o destino dos adversários do futuro monarca... Consciente das de ciências defensivas da região, D. Filipe I de Portugal ordenaria o levantamento da planta de Cascais e de uma carta da costa até S. Julião da Barra. Estes desenhos inserem-se no projeto de reforço das capacidades defensivas da Torre de Cascais, de cujo abaluartamento resultaria, nos finais do século XVI, a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, de traçado triangular, pouco comum no nosso país, que veio a ser integrada, depois de 1640, na Cidadela de Cascais. Proceder-se-ia, ainda, à construção do Forte de Santo António da Barra, nas imediações do futuro S. João do Estoril, com projeto gizado por Casale em 1590.

Fortificações - Fortaleza de Nossa Senhora da Luz
Zoom
Fortificações - Forte de Santo António da Barra
Zoom
Fortificações - Forte de Santo António da Barra
Zoom
Fortificações - Forte de Santo António da Barra
Zoom
Fortificações
Zoom
Fortificações
Zoom > Ler mais

Após a Restauração da Independência, em 1640, os portugueses investiram na fortificação da região pela qual se processara a investida que lhes havia custado o trono durante seis décadas. Sob a direção de D. António Luís de Meneses, Conde de Cantanhede – que fora encarregado da defesa da Barra do Tejo, principal porta de acesso à capital – ampliaram-se e restauraram-se as fortficações existentes, levantando-se, ainda, mais de uma dezena de baluartes entre o Guincho e Carcavelos, de que os Fortes de S. Jorge de Oitavos e de Santa Marta, hoje musealizados, constituem importantes exemplos. De entre as estruturas então construídas importa destacar a Cidadela de Cascais que, agregando a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, reforçou consideravelmente a defesa deste ponto estratégico da costa. Apesar de o anteprojeto de alargamento remontar ao período filipino, apenas parece ganhar fôlego a partir de 1641, sob a direção de Simão Mateus e depois de Philipe Guitau, a quem se sucederam João Pascásio Cosmander e Nicolau de Langres. Não obstante em 1675 as suas muralhas continuarem em construção, o conjunto das restantes forti cações que então se decidiu edificar foi maioritariamente concretizado até ao final da década de 1640, em face da simplicidade estrutural adotada.

Fortificações
Zoom > Ler mais

No dia 1 de novembro de 1755, um violento tremor de terra devastou o concelho de Cascais. De acordo com Frei António do Espírito Santo, religioso que habitava no Convento da Piedade, que descreveu os efeitos do cataclismo na vila, o terramoto fez-se sentir por nove minutos e transformou «a grande povoação [em] um insensível e frio cadáver do que havia sido e uma desfeita cena do que já não era». Em 1758, o Cura da Ressurreição de Cristo, António Inácio da Costa Godinho, não hesitaria registar que «de todas as terras foi esta a que experimentou maior ruína», pois todos os edifícios do concelho sofreram com o abalo, como as Igrejas da Ressurreição, da Assunção e da Misericórdia e o Convento de Nossa Senhora da Piedade, em Cascais, o Convento de Santo António, no Estoril, ou as Igrejas de S. Domingos de Rana, de S. Vicente de Alcabideche e de Nossa Senhora dos Remédios, em Carcavelos. Na verdade, nem mesmo os locais de culto escaparam à hecatombe, que muitos acreditaram ser castigo divino... Os últimos vestígios da destruição provocada por este terramoto só desapareceram definitivamente da malha urbana no primeiro quartel do século XX, quando o troço final das ruínas do Palácio dos Marqueses de Cascais cedeu lugar à casa do Conde de Monte Real, junto à curva da atual Avenida D. Carlos I.

Arquitetura Vernácula
Zoom > Ler mais

A privilegiada situação geográfica de Cascais, que se imporia enquanto porto de pesca, de abrigo e de refresco à escala regional, transformou os pescadores num dos símbolos do concelho. Todavia, durante séculos, a agricultura constituiu a principal atividade dos seus habitantes, ainda hoje testemunhada por equipamentos como as azenhas e os moinhos, que o poeta Ibn Mucana já referenciava, em Alcabideche, no século XI.

Arquitetura Vernácula
Zoom > Ler mais

Aos trabalhos agrícolas associa-se a gura do saloio, herdeiro da tradição árabe do amanho da terra, que desenvolveria uma cultura própria, traduzida nos seus costumes, crenças, linguagem e vestuário, que marcou também a paisagem do concelho ao difundir uma arquitetura popular, dita saloia, que ainda hoje detém núcleo de especial interesse em Manique de Baixo. Solidamente erguido em alvenaria de pedra, o volume cúbico da casa saloia é normalmente rematado com telhado mourisco. Caiada, de um ou dois pisos ou torreada, dispunha de logradouro quase sempre delimitado por muros de alvenaria de pedra seca ou argamassada. Note-se que a extração e preparação da pedra ocupavam, então, parte substancial da população, em função da riqueza geológica do concelho, com destaque para os “mármores” apinhoado, busano e bastardo ou a célebre pedra calcária denominada azulino de Cascais. Ainda hoje, no Cemitério de S. Domingos de Rana se encontram alguns jazigos executadas com esta pedra, cuja simbologia testemunha também, de forma inequívoca, a arte dos canteiros, que moldaram a história do município. A vinha constituía a cultura mais emblemática do concelho, pela fama do vinho de Carcavelos, conhecido internacionalmente, pelo menos desde os finais do século XVIII e com a primeira exportação conhecida para Inglaterra em 1673. Entre as principais quintas que se dedicaram também à sua produção destacam-se a Quinta do Barão, Nova de Santo António, da Alagoa, da Bela Vista, da Cartaxeira, do Lameiro, dos Pesos, da Ribeira, dos Chaínhos e da Samarra.

Arquitetura Vernácula
Zoom > Ler mais

A 30 de novembro de 1807 Cascais foi ocupado pelas tropas francesas de Junot, chefiadas pelo Barão Maurin, que por aqui se manteriam até 2 de setembro do ano seguinte, quando, na sequência da assinatura da Convenção de Sintra, que a tradição diz ter sido negociada em Cascais – eventualmente no edifício que depois viria a ser designado por Palácio dos Condes da Guarda – a esquadra britânica avançou pelo Tejo, para tomar as fortalezas de Cascais, S. Julião da Barra e Bugio. O núcleo primitivo da vila manteria a sua malha urbana quase inalterada desde o século XV até à atualidade. Não obstante a expansão a que se assistiu nos séculos XVI e XVII até ao fatídico ano de 1755, após esta data seguir-se-ia um período de letargia, que se acentuou com a extinção das ordens religiosas e a retirada do Regimento de Infantaria 19. O mesmo deve ter sucedido nas localidades do interior do concelho que, certamente menos afetadas pela destruição provocada pelo terramoto, puderam assegurar a manutenção das atividades tradicionais que desde a Idade Média constituam a base da sua subsistência.

Quintas e Palácios - Quinta do Barão
Zoom > Ler mais

Esta Quinta, que remonta ao século XVIII, foi fundada por Jacinto Isidoro de Sousa. A sua viúva vendeu a propriedade em 1794 ao Barão de Mossâmedes, vindo a destacar-se pela produção do afamado vinho de Carcavelos. O solar, que remonta à mesma época, foi sendo sucessivamente intervencionado, principalmente com uma grande campanha de obras em 1944, sem que, no entanto, se assistisse à sua descaraterização arquitetónica, como o denunciam os magní cos painéis azulejares de diferentes estilos, que marcam as várias épocas das intervenções. Com três pisos e vãos que não respeitam uma simetria absoluta no alçado nascente, a casa reveste-se de especial interesse no alçado sul, com dois lanços de escadas que convergem num alpendre de acesso ao primeiro piso, emoldurado por painéis azulejares com molduras policromas de concheados rococó e cenas figurativas a azul e branco. No interior observam-se silhares de azulejos de diversas épocas e estilos, sendo de salientar a existência de dois painéis onde o cereal é apresentado a amarelo, numa sala dedicada à temática do trabalho. O jardim a poente da casa senhorial é marcado pela variedade das espécies vegetais em presença, das quais várias centenares, que transformam esta propriedade num espaço único de fruição e lazer.

Quintas e Palácios - Quinta do Barão
Zoom
Quintas e Palácios - Palácio dos Condes da Guarda
Zoom > Ler mais

Mandado edficar por D. Inês Antónia da Cunha, em nais do século XVIII, este palácio é um dos edifícios mais representativos de Cascais e o único caso de arquitetura civil em Portugal em que foram aplicados nas fachadas painéis azulejares neoclássicos de temática religiosa. Entre estes destacam-se os que representam os Quatro Evangelistas – S. Marcos e S. Mateus, na fachada principal e S. Lucas e S. João, na fachada lateral – produzidos na Real Fábrica de Louça do Rato e pintados por Francisco de Paula e Oliveira. O edifício, depois designado por Palácio dos Condes da Guarda por ter pertencido a esta família no século XIX, seria utilizado para outras funções após a sua venda, em 1917. Serviu, assim, enquanto casino e alojou diversos estabelecimentos comerciais e uma estação de correios, até que em 1940 aí se instalaram os Paços do Concelho. Entre as intervenções então promovidas para acomodar a Câmara Municipal destaca-se a decoração de azulejos do salão nobre, pintados por Eduardo Leite e produzidos na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, obra que recria o estilo barroco joanino, com cenas campestres e marítimas. Do edifício primitivo manteve-se a decoração da escadaria, de nais do século XVIII, onde se inclui o magní co painel com gura de convite. Em 1966, o palácio seria ampliado, ocupando a área onde funcionara o célebre restaurante A Marisqueira.

Quintas e Palácios - Palácio dos Condes da Guarda
Zoom
Quintas e Palácios
Zoom
Quintas e Palácios - Paço de Cascais
Zoom > Ler mais

A estada da família real consolidou-se a partir de 1870, na sequência da adaptação de parte da Cidadela no despretensioso Paço de Cascais, onde a Corte se passou a instalar em meados de Setembro. Mercê desta presença sazonal, a vila transformou-se na capital do lazer em Portugal, introduzindo e promovendo modalidades desportivas como a vela, o remo, a natação, o ténis ou o futebol. Assumiu, ainda, pioneirismo na divulgação de avanços tecnológicos, como sucederia, por exemplo, em 1878, ao promover-se na Cidadela a primeira experiência de iluminação pública elétrica em Portugal, por ocasião do aniversário do Príncipe D. Carlos.

Quintas e Palácios - Paço de Cascais
Zoom > Ler mais

O projeto de adaptação da Cidadela de Cascais enquanto residência sazonal da Família Real portuguesa, a partir de 1870, foi entregue a Joaquim Possidónio Narciso da Silva. Para o efeito, o arquiteto gizaria a ligação das Casas do Governador da Cidadela ao Pavilhão de Santa Catarina, que con nava com a Praça de Armas, redimensionando salas, decorando vestíbulos e salões e criando um salão de banquetes e uma ligação direta para o coro alto da Capela de Nossa Senhora da Vitória. Embora de dimensões modestas e sem os luxos que caraterizavam outros palácios reais, o Paço de Cascais teria algum requinte, sobretudo ao nível dos acabamen- tos, pelo recurso a materiais de exceção, nomeadamente de madeiras exóticas. D. Luís veio a falecer, em 1889, no Paço de Cascais, sucedendo-lhe D. Carlos, que promoveu profundas alterações no edifício, onde instalou o primeiro laboratório português de biologia marinha, em 1896, mandando acrescentar, para o efeito, em 1902, um terceiro piso sobre o antigo Pavilhão de Santa Catarina, que transformaria nos seus aposentos privados. Depois da Implantação da República, o Palácio passou a receber os Presidentes da República, funcionando, mesmo, como residência o cial de Óscar Carmona, de 1928 a 1945, que aí mandou efetuar diversas obras, caso da transformação do terraço virado a nascente num salão de Inverno, da autoria do engenheiro Duarte Pacheco. Depois de muitos anos sem utilização, já em acentuado estado de degradação, o Palácio seria alvo de uma profunda intervenção de reabilitação e restauro, entre 2007 e 2008, com projeto do arquiteto Pedro Vaz. Cumpre hoje as funções de residência o cial do Presidente da República, assegurando simultaneamente o acesso às suas salas de aparato e dependências plenas de história, através de visitas guiadas, promovidas pelo Museu da Presidência da República.

Quintas e Palácios - Paço de Cascais
Zoom
Teatro Gil Vicente e Paço Real
Zoom > Ler mais

A partir de meados do século XIX, a moda dos banhos de mar, assente e, pressupostos terapêuticos, impôs as praias de Cascais enquanto destino privilegiado das classes mais abastadas, transformando-se, depois, numa forma de lazer, à semelhança do que sucedia em diversas estâncias balneares da Europa.. Todavia, a efetiva descoberta do litoral do concelho ficou sobretudo a dever-se à reconstrução da estrada para Oeiras, entre 1859 e 1864, que facilitou o acesso a Lisboa, e da estrada para Sintra, concluída em 1868. A frequência de Cascais revelou-se de cariz elitista, alcançando pela primeira vez em setembro de 1867 o estatuto de praia da Corte, pela preferência que lhe foi concedida pela Rainha D. Maria Pia e, depois, pelo Rei D. Luís. Para além do Passeio (hoje Jardim) Visconde de Nossa Senhora da Luz, onde o contacto com a natureza servia de argumento para a convivência, a vila passou a dispor, a partir de 1869, do Teatro Gil Vicente.

Teatro Gil Vicente e Paço Real
Zoom > Ler mais

Inaugurada a 19 de setembro de 1869, a expensas de Manuel Rodrigues Lima, esta sala de espetáculos, que foi, desde cedo, palco dos mais importantes eventos culturais da vila, veio, depois, a ser administrada pela Associação Huma- nitária e Recreativa Cascaense, atual Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascais. Seguindo as linhas clássicas do palco à italiana, o edifício é um corpo retangular com fachada principal na face mais curta, marcada por três portas emolduradas por cantaria, segundo um modelo oitocentista, a que sobrepõem janelas “de verga” semi-circular. A platibanda com balaustrada apresenta, ainda, jarrões de barro de barro, a ritmarem os segmentos de balaústres.

Arquitetura de Veraneio - Casa Palmela
Zoom > Ler mais

Face à escassez de alojamentos dotados das condições exigidas pelos vilegiaturistas, habituados aos confortos da capital, assistiu-se à edificação de novas habitações, que se transformaram em imagens de marca do concelho, impondo , então, a chamada arquitetura de Veraneio. Esta arquitetura caracteriza-se pela assunção de um conjunto uido de opções construtivas e decorativas marcadas pelo ecletismo da época, que permitiria distinguir a casa de veraneio da habitação da cidade, vocacionando-a para o descanso e fruição da natureza e transformando-a num espaço em que o exotismo e a extravagância tantas vezes concorrem para a construção de um lugar mágico. Entre os seus primeiros e mais emblemáticos exemplares destacam-se a Casa Palmela, projetada em 1871, e a Casa Loulé, que em 1873 já se encontrava concluída, cujas opções construtivas e decorativas permitem distingui-las das habitações da cidade.

Arquitetura de Veraneio - Casa Palmela
Zoom > Ler mais

Mandada edificar sobre o antigo baluarte seiscentista de Nossa Senhora da Conceição pelos Duques de Palmela, esta casa é uma das peças mais destacadas da arquitetura de veraneio em Cascais. O seu projeto foi elaborado, entre 1870 e 1871, pelo arquiteto inglês Thomas Henry Wyatt que, certamente de acordo com os encomendadores, optou por uma estética revivalista, de feição neogótica, que lhe valeu o epíteto de Abadia. Diversos recursos concretizaram essa intenção: o uso da pedra que cobre todos os alçados e debrua os ângulos e os vãos; as sóbrias molduras que separam os andares; os inclinados telhados que modelam os diversos corpos, acrescentando, à sua aparente assimetria, a diversidade das suas guras compositivas; a austeridade do portal com molduragem neogótica; e a verticalidade do conjunto, assumida pelas trapeiras e pelos vãos retangulares ao alto que proclamam um expressivo sentimento de interioridade. A marca estética neogótica e a espiritualidade do edifício foram reforçadas, já na década de 1880, pela construção da capela, com projeto do arquiteto José António Gaspar, posteriormente alterado pelo arquiteto José Luís Monteiro.

Arquitetura de Veraneio - Casa de Santa Maria
Zoom > Ler mais

A instalação da família real pareceu tornar a vila verdadeiramente merecedora do caminho-de-ferro até à capital, cujo projeto se efetivou em 1889, assumindo-se, desde então, como o mais poderoso instrumento de desenvolvimento do concelho, que se pôde afirmar definitiva e progressivamente enquanto estância turística de referência. A arquitetura de veraneio continuou a espraiar-se pelo litoral, surgindo, então, alguns dos seus mais emblemáticos exem- plares, casos da Torre de S. Sebastião e da Casa de Santa Maria, de Jorge O’Neill, hoje musealizadas; da Casa de S. Bernardo, do Conde de Arnoso; ou das habitações dos Marqueses do Faial, de Joaquim da Silva Leitão, do Conse- lheiro Luís Augusto Perestrelo de Vasconcelos e de Francisco Augusto Trindade Baptista. Igualmente mandada edi car por Jorge O’Neill, em 1902, nas imedia- ções do Farol de Santa Marta, o seu projeto, da autoria de Raul Lino, moldou-se à paisagem deste lugar extraordinário, aberto a um mar quase domesticado, jorrante de luz azul, em que o arquiteto traduz a sua re exão sobre a arquitetura tradicional do sul do país, devedora da cultura mediterrânica e com fortes in uências mouriscas. Em 1918, a casa seria ampliada para acolher uma extraordinária coleção de azu- lejos de nais do século XVII, oriundos de uma capela demolida. Nesse período, já Raul Lino uni cara a sua pesquisa formal e estética na síntese da “Casa Portuguesa”, que considerava matriz imperativa para a arquitetura doméstica nacional. Desmultiplicou, então, os corpos da casa, assim como as suas aberturas, alpendres e telhados, dinamizando também a linha da cércea, pela verticalização das chaminés, da “torre” de fresco e de um pitoresco pombal. Em 2004, a Câmara Municipal de Cascais adquiriu o imóvel à família Espírito Santo, transformando-a num equipamento cultural de fruição pública.

Arquitetura de Veraneio - Torre de S. Sebastião
Zoom > Ler mais

Este palacete, que Jorge O’Neill mandou construir no início do século XX, constitui um exemplo de ecletismo, uni cador de várias linguagens arquitetónicas, que lhe conferem um enorme sentido de monumentalidade. Com desenho executado em 1897 pelo cenógrafo Luigi Manini, viria a ser efetivamente projetado, cerca de 1900, pelo pintor Francisco Vilaça, imprimindo-lhe um carácter cenográ co que se enquadra na paisagem e concentra nas fachadas-cenário todo o esforço decorativo. A propriedade viria, depois, a ser adquirida pelo Conde de Castro Guimarães, que, por testamento, a doou ao Município de Cascais para a instalação de um Museu-Biblioteca, inaugurado em 1932. Apresenta planta irregular, em que se destaca o claustro e a torre, de poderoso embasamento, pontuada por elementos manuelinos e terminando em cobertura cónica, sobre o último piso, dotado de pequenas varandas panorâmicas. Merecem, ainda, especial destaque o jardim de cariz romântico, dotado de lago, caminhos sinuosos e fontes decoradas com painéis de azulejo do século XVIII, cuja temática aponta para a proveniência de um extinto convento. O conjunto é, ainda, comple- tado pela Capela de S. Sebastião, que remonta ao século XVI, na qual se destaca o invulgar frontal do altar-mor, de azulejo gurado policromo, azul e amarelo, representando S. Sebastião.

Arquitetura de Veraneio - Casa Maria Pia
Zoom > Ler mais

O final do século XIX é também marcado pelo projeto de urbanização do Monte Estoril, a antiga costa de Santo António, conduzido pela Companhia Monte Estoril, a partir de 1888, em função do caminho-de-ferro. A sua imposição enquanto centro de vilegiatura de primeira ordem, frequentado pela aristocracia e burguesia abastada, seria facilitada pela instalação da Rainha D. Maria Pia, a partir de 1893. Ainda que a Casa D. Maria Pia marcasse a sionomia da nova localidade, seriam sobretudo os seus casinos, o Grand Hotel (Estrade) e o Grand Hotel d’Italie os grandes responsáveis pela divulgação e afirmação do Monte Estoril. Mercê da fama dos Banhos da Poça, administrados pela Santa Casa da Misericórdia de Cascais, na década de 1880 assistiu-se, também, à edi- cação das primeiras habitações na região que desde 1890 se passou a designar S. João do Estoril e cujo desenvolvimento, ao contrário do vizinho Monte Estoril, se deveu a múltiplas iniciativas individuais, que obliterariam qualquer noção de conjunto. O desenvolvimento de Cai-Água, futuro S. Pedro do Estoril, cou a dever-se à iniciativa do capitalista Abílio Nunes dos Santos, proprietário dos Grandes Armazéns do Chiado, que aí adquiriu terrenos e edi cou habitações, divul- gando o lugar, ao sortear, em 1905 e 1906, os Chalet Ideal nos 1 e 2, como prémio aos clientes do seu estabelecimento... Em 1872 iniciou-se um novo ciclo de desenvolvimento em Carcavelos, quando os descendentes do Morgado da Alagoa venderam a Quinta Nova de Santo António para a xação da companhia inglesa responsável pela montagem de uma estação de transmissão e retransmissão de ligação telegrá ca elétrica submarina entre a Inglaterra e a Índia. Esta casa, ainda hoje imagem de marca do Monte Estoril, foi adquirida a João Henrique Ulrich, em 1893, pela Rainha D. Maria Pia, para utilização durante o período do ano consagrado aos banhos de mar. No entanto, em função da sua privilegiada localização também viria a ser utilizada durante grandes períodos no inverno, assumindo, então, a designação de Paço do Estoril. Para acomodar condignamente a Rainha, seria alvo de grandes obras internas, concluídas em 1895, sob direção do arquiteto Rosendo Carvalheira, em que se salientam as intervenções realizadas em talha e marcenaria por Frederico Augusto Ribeiro e as pinturas murais de António Ramalho. Característico chalet de m de século, de planta irregular, formado pelo adossamento de diversos corpos de distintas formulações planimétricas, distingue-se pelo telhado de duas águas e o pequeno torreão com telhado em coruchéu octogonal, revestido com telha cerâmica vidrada, de cor preta à data, com decorações geométricas a azul e branco, hoje desaparecidas. O alçado principal possui quatro andares, desenvolvendo-se inferiormente um terraço suportado por soluções de ferro forjado. No seu interior, a decoração espelhava ambientes ecléticos muito ao estilo da segunda metade do século XIX, ainda que neles prevalecesse o estilo Luís XV, o preferido da soberana.

Saúde e Turismo - Hotel Palácio
Zoom > Ler mais

A partir de 1890, a parede, localidade desde há muito associada à extração e preparação da pedra, assistiria ao nascimento de uma nova área, entre o caminho-de-ferro e o oceano, por iniciativa do republicano José Nunes da Mata, que traçou com régua e esquadro a malha urbana, de forma a que a vista de mar pudesse ser partilhada por todos. Divulgou-se, depois, por intermédio do Sanatório de Sant'Ana, idealizado por Amélia e Frederico Biester e concretizado por Amélia Claudina de Freitas Chamiço, cuja primeira pedra seria lançada em 1901. Em função do desenvolvimento da Parede, que se assumiu enquanto área privilegiada para a cura e pro laxia de vários males físicos, por intermédio do mar e do sol, tam- bém Cai-Água, que a partir de 1927 se passou a designar por S. Pedro do Estoril, veria aumentar o número de visitantes à sua praia resguardada por amena enseada, como o atesta a instalação da benemérita Colónia Balnear Infantil de O Século nesse mesmo ano. Até à apresentação do projeto Estoril: Estação Marítima Climatérica, Termal e Sportiva, em 1914, a localidade então conhecida por Santo António do Estoril fora sobretudo recomendada pelas suas termas, sendo ainda procurada para banhos de mar, aos quais se deveu a construção de belíssimos exemplares da arquitetura de veraneio. A ambicionada internacionalização da região enquanto destino turístico começou a cumprir-se por intermédio do projeto conduzido por Fausto Cardoso de Figuei- redo e Augusto Carreira de Sousa, na sequência da aquisição da Quinta do Viana e do convite ao arquiteto Henri Martinet para o desenvolvimento de um ambicioso projeto, dotado de equipamentos coletivos orientados para as atividades do lazer, com especialização médica e climática, nomeadamente três hotéis, novas termas, casino, teatro, palácio de desportos, edifício para banhos de mar, estabelecimentos comerciais, galerias cobertas e amplo jardim, dispostos em território virado para o mar. Este hotel constituía um dos equipamentos estruturantes do projeto encomendado, em 1914, ao arquiteto Henri Martinet, a quem se seguiu António Rodrigues da Silva Júnior. Inaugurado em 1930, sob a direção do arquiteto Raul Jourde e do decorador M. Fitté, o edifício, cuja fachada principal apresenta dois amplos corpos salientes, descentrados e de linhas claras, tinha quatro andares e dispunha de duzentos quartos. Durante a II Guerra Mundial foi frequentado por espiões, políticos, negociantes, artistas e desportistas, assim como por reis, rainhas e destacados membros das principais famílias reais europeias, exiladas em Cascais. O momento mais alto da vida social do hotel ocorreria, em 1955, quando foi escolhido para servir o banquete de casamento do Príncipe Alexandre da Jugoslávia e da Princesa Maria Pia de Saboia, lha do Rei Humberto II de Itália. As obras de remodelação, iniciadas na década de 1950, dotariam a unidade de um quinto andar e de uma nova ala, construída de raiz, com cozinha e sala de refeições. Ainda hoje este edifício mantém toda uma ambiência que nos remete para o espírito da época em que foi construído.

Saúde e Turismo - Colónia Balnear Infantil de o Século
Zoom > Ler mais

Em 1927, a Colónia Balnear Infantil de O Século acolheu trezentas crianças de famílias carenciadas nas antigas instalações da fábrica de conservas de Carlos Correia, defronte da Praia de S. Pedro do Estoril, de forma a proporcionar-lhes um período de lazer junto ao mar. Todavia, mercê da necessidade de adaptação do espaço à sua nova função, apenas em 1932 as crianças voltaram a usufruir destas instalações, que seriam ampliadas no ano seguinte, a expensas do Conde de Monte Real e, depois da construção da Avenida Marginal na década de 1940, dotadas de passagem pedonal subterrânea, com acesso direto à praia. Entre 1943 e 1945, resultado de uma campanha de angariação de fundos, a Colónia conti- nuou a ser ampliada e modernizada, transformando-se num equipamento modelar, adaptado às exigências da época e apetrechado, médica e disciplinarmente, para responder às necessidades de acolhimento de uma verdadeira multidão de crianças, num conjunto arquitetónico racional e sóbrio, inconfundivelmente modernista.

Saúde e Turismo - Sanatório de Sant'Ana
Zoom > Ler mais

O antigo Sanatório de Sant’Ana, atual Hospital Ortopédico de Sant’Ana, conserva a sua imponência arquitetónica, destacando-se pela longa fachada, paralela à Avenida Marginal, que revela o gosto eclético da arquitetura portuguesa do início do século XX, ao qual se alia uma profunda capacidade funcional, bem expressa na articulação de espaços, serviços e equipamentos. O seu primeiro projeto foi concebido pelo arquiteto José António Gaspar, a quem se sucederia Rosendo Carvalheira. Iniciada a sua construção em 1901, teria a primeira ala inaugurada três anos depois, muito embora o sanatório apenas casse totalmente concluído em 1912. O edifício, hoje propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, desenvolve-se numa planta em forma de H. Na monumental fachada virada ao mar importa destacar os azulejos, cantarias e grades de ferro, que expressam extraordinário cuidado no desenho do pormenor. É, ainda, dotado de uma magní ca capela decorada por pintura mural de gosto neomedieval. No interior, reveste-se de especial interesse o espaço correspondente ao primitivo Jardim de Inverno, sala de nida por três corpos, articulados por arcos de volta perfeita e decorados por painéis de azulejo de inspiração Arte Nova, da autoria de Jorge Pinto.

Arquitetura Modernista
Zoom > Ler mais

Mercê da oferta turística disponibilizada, o eixo Cascais-Estoril foi escolhido como local de passagem ou de exílio por muitas pessoas que aqui buscavam, antes, durante e depois da II Guerra Mundial a segurança que os seus países de origem já não garantiam. Finda a guerra, o concelho assumiu-se como local de exílio de reis destrona- dos. Em fevereiro de 1946 os Condes de Barcelona instalar-se-iam no Estoril. Em junho chegou o Rei Humberto II de Itália, que preferiu xar-se em Cascais. Já em outubro de 1947 foi a vez do Rei Carol II da Roménia também passar a residir no Estoril, a quem se sucedeu, um ano depois, o Almirante Horty, regente da Hungria e os Arquiduques da Áustria-Hungria. Este período foi marcado pela construção de diversas moradias nos lotes vendidos no Parque Estoril, seguindo já as tendências da nova arquitetura modernista. Desta forma, para além de habitações unifamiliares assistiu-se, também, à cons- trução de importantes equipamentos públicos, caso do edifício dos Correios do Estoril, em 1942. Concluído em 1948, o Plano de Urbanização da Costa do Sol integrava a Estrada Marginal e previa a criação de uma nova entrada em Cascais, gizada pelo arquiteto Filipe Nobre de Fi- gueiredo, com modernos edifícios comerciais, de serviços e para habitação, aos quais se associaria, em 1952, o novo Merca- do, projetado pelo arquiteto Alberto Cruz, nas imediações da Ribeira das Vinhas, entretanto canalizada. A reformulação do centro da vila passou igualmente pela inauguração, em 1940, do Parque Marechal Carmona, a que se seguiu, no ano seguinte, a do Hospital Condes de Castro Guimarães e já em 1950, a do edifício da Lota e da Guarda Fiscal que deverão ter sido proje- tados por Paulo Cunha. Vastos territórios do concelho, até então destinados à lavoura ou votados ao abandono, seriam, então, tomados por um surto de expansão urbanística, à medida que antigos resi- dentes e novos migrantes que pretendiam organizar a sua vida na capital foram forçados a procurar habitação fora de portas, a custos mais acessíveis. Multiplicaram-se, desta forma, novas urbanizações em que as moradias de dois pisos cederam lugar a prédios de vários andares. Foi neste contexto que, por exemplo, em 1964 decorreu a inauguração do Bairro das Caixas de Previdência, na Parede. Em 1967 inaugurou-se o Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão, a que se sucedeu, no ano seguinte, o novo Casi- no Estoril, gizado pelos arquitetos Filipe Nobre de Figueiredo e José de Almeida Segurado. Em 1971 já o Pavilhão de Desportos de Cascais, projetado por Henrique Albino, recebia o primeiro Festival Internacional de Jazz, procedendo-se, em 1972, à inau- guração o cial do Autódromo do Estoril, ainda que incompleto. O enorme desenvolvimento urbanístico do concelho conduziria, em 1991, à inauguração da Autoestrada Lisboa-Cascais, num ano também marcado pela abertura ao público do CascaiShopping, o primeiro centro comercial regional em Portugal, a que se suce- deu, em 1999, a Marina de Cascais. No ano seguinte, o concelho seria nalmente dotado de um Palácio de Justiça adaptado às suas necessidades.

Arquitetura Modernista - Correios do Estoril
Zoom > Ler mais

O edifício dos Correios do Estoril, obra do arquiteto Adelino Nunes com projeto datado de 1939 apenas seria inaugurado em 1942. A planta desenvolve-se em V, para melhor adaptação à forma do lote, com um jogo de materiais, superfícies e volumes que fazem deste imóvel uma das peças mais interessantes do modernismo do Estoril. Com dois pisos, as fachadas assimétricas, conformadas ao declive do terreno, salientam o volume cilíndrico da fachada principal, que é estruturante da volumetria exte- rior e articula interiormente a distribuição dos espaços. Abandonando a simetria, assumindo claramente o valor plástico das volumetrias e rejeitando, quase totalmente, o recurso a elementos decorativos como forma de animar as superfícies, o arquiteto demonstrou grande domínio dos valores modernistas, aproximando-se dos exemplos da arquitetura neoplasticista holandesa.

Arquitetura Modernista - Bairro das Caixas de Previdência
Zoom > Ler mais

A construção deste Bairro na Parede é ilustrativa da mudança da política habitacional desenvolvida pelo Estado Novo nos nais da década de 1950, onde as pequenas habitações unifamiliares, agrupadas em redor de uma igreja protetora, cedem lugar a grandes bairros, onde predominam habitações coletivas. O Bairro das Caixas re ete esta alteração, caracterizando-se por uma forte homogeneidade social, que se associa ao ideal da Carta de Atenas de 1933, marcado por uma nova imagem urbana, fortemente zoni cada e na qual predominam os grandes blocos habitacionais espaçados, de desenho depurado, puramente racionais. O arquiteto Ruy Jervis d’Athougia, pioneiro na divulgação destes conceitos em Portugal, soube expressar no projeto do Bairro, assente nos conceitos expressos na Carta de Atenas, na qual a arquitetura se centra nos valores da habitabilidade, deixando de ser um mero exercício de estilo. Edi cado sob uma antiga pedreira, é constituído por 20 prédios num total de 160 fogos, afastados entre si e estrutu- rados perpendicularmente à Avenida Gago Coutinho, possibilitando, assim, uma maior solarização e insonorização.

Arquitetura Modernista - Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão
Zoom > Ler mais

Com programa funcional desenvolvido pelo Dr. Santana Carlos e projeto de arquitetura concebido por Formosinho Sanchez, em 1956, a direção da obra desta unidade de saúde, destinada ao tratamento e recuperação de de cientes motores, foi entregue ao engenheiro José Maria Ferreira da Cunha. Edi cada a expensas da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa entre 1956 e 1966, trata-se de uma obra de arquitetura pioneira, marcada por valores do modernismo internacional, que acentua a visibilidade dos ele- mentos construtivos, temperada por ideias organicistas, elegendo materiais naturais e apostando numa integração na natureza e espírito do lugar. Criaram-se, então, efeitos de transparência entre o exterior e o interior do edifício, tanto ao nível térreo, onde surgem elementos dos jardins enquadrados pelas aberturas, como nos planos mais elevados, em que se desfrutam vistas de mar e da Serra de Sintra. A a rmação desta “obra total” implicou, também, por exemplo, o controlo do projetista no arranjo paisagístico, a cargo de Ponce Dentinho, assim como no desenho do mobiliário.

Arquitetura Modernista - Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão
Zoom
Cascais
Zoom
Cascais: Memórias de Pedra e Cal (1364-2014)
Zoom
x
Traçado da fortificação
O traçado da fortificação, de planta ovalada, seria reproduzido por Georg Braun e Frans Hogenberg, em 1572, no primeiro volume de Civitates Orbis Terrarum, em belíssima gravura que parece representar a vila no início da centúria. As sete torres do castelo eram apoiadas, junto à Praia da Ribeira, por uma barbacã que defendia a única porta da muralha que se desenha, não obstante deverem existir outras, que apenas seriam representadas em plantas do final desse século. Já na torre sul se acoplavam duas construções, provavelmente as casas do senhor de Cascais, que estariam na génese do palácio que o Rei D. Filipe I tanto apreciaria, quando as visitou em 1581. O castelo e palácio foram profundamente afetados pelo terramoto de 1755 e pela subsequente evolução da malha urbana. Todavia, ainda hoje é possível identificar alguns elementos da antiga muralha, cujo perímetro inicial se representa em cartografia atual.
Castelo
Vista panorâmica Cascais
Arquitetura Religiosa - Igreja de Nossa Senhora da Assunção
Em 1527 viviam cerca de 600 a 1 000 habitantes na vila e 1 200 a 1 900 no resto do concelho. Entre os testemunhos arquitetónicos dessa época destacam-se, pela sua imponência, riqueza e história, os edifícios religiosos, ainda que muitas vezes reconstruídos ou alterados em datas posteriores, de que constituem exemplos a Igreja de Nossa Senhora da Assunção e a Capela de S. Sebastião, em Cascais. Os elementos arquitetónicos reaproveitados na Igreja de S. Vicente de Alcabideche comprovam igualmente a sua vetusta fundação, à semelhança dos fechos de abóbodas da Igreja de S. Domingos de Rana. Destaque-se, ainda, a Capela de Nossa Senhora da Conceição da Abóboda, que preserva a mais bela pedra armoriada do concelho, datada de 1529, assim como a Igreja e Convento de Santo António do Estoril, fundada em 1527 pelos frades franciscanos sobre a ermida de S. Roque, com sepultura de Roque Lopes, piloto da Carreira das Índias e outras pedras tumulares datadas dos finais do século XVI. A Ermida de Nossa Senhor da Guia constitui outro exemplo da arquitetura religiosa quinhentista do concelho, erigida junto ao Farol que já funcionava em 1537, de forma a avisar os navegantes dos perigos da costa. Esta estrutura, já mencionada por Damião de Góis, em 1554, transformou-se, assim, num dos ícones da costa de Cascais, cuja enseada era descrita como o local «onde as naus de carga, ancoradas em porto amplo e seguro, esperam a maré e monção», não obstante as notícias de naufrágios que per- passam a história da região... Nesta época, o reforço dos laços sociais entre a comunidade conduziu à fundação de confrarias ou irmandades que se armaram enquanto associações de socorros mútuos, de cariz material e/ou espiritual, de que a Santa Casa da Misericórdia de Cascais, fundada a 11 de junho de 1551, constitui o mais importante exemplo no concelho. Para o efeito, a irmandade construiria um hospital, junto à Igreja da Misericórdia, que se manteve em atividade até 1942, por ocasião da inauguração do Hospital Condes de Castro Guimarães. Em 1594 assistir-se-ia ao início da construção, em Cascais, do Convento de Nossa Senhora da Piedade, sob o patrocínio do Senhor de Cascais, D. António de Castro, 4.o Conde de Monsanto, e de sua mulher, D. Inês Pimentel. Refira-se, por fim, a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios em Carcavelos, de fundação anterior ao terramoto de 1755, que constitui outra das jóias da arquitetura religiosa do concelho, continuando a marcar a antiga malha urbana da localidade. Embora se desconheça a data concreta e o contexto da sua fundação, é o mais emblemático templo da vila e aquele que mais se relaciona com o seu passado medieval, como o atestam as estelas discoides resgatadas do seu adro. Da presumível riqueza que a igreja ostentou no século XVI dá conta um notável conjunto de pintura antiga, de c. 1520-25, atribuível ao Mestre da Lourinhã, composto por quatro pinturas “primitivas” em madeira de carvalho, decerto do antigo retábulo-mor, que representam a Natividade, a Adoração dos Magos, a Virgem da Anunciação e o Anjo S. Gabriel. Destaca-se, ainda, o importante núcleo de pintura seiscentista, concebido por Josefa d’Óbidos entre 1672 e 1673 para o Convento da Piedade, que transitou para a Igreja Matriz após a extinção, ou a Última Ceia, pintada por Pedro Alexandrino de Carvalho para a Capela do Santíssimo Sacramento, irmandade que custeou a edificação do templo após o terramoto de 1755. Precioso é igualmente o revestimento azulejar integral das paredes da sacristia sul, obra datada de 1720 e estilisticamente atribuída ao Mestre P.M.P. Os seus painéis, tematicamente únicos e de grande erudição, representam temas do Antigo Testamento, retirados do Êxodo, do Livro dos Reis e do Livro de Josué, como a Travessia do Mar Vermelho e as cenas da Arca da Aliança. As composições, plenas de vigor, devem provir de uma das principais oficinas de produção de azulejo da Lisboa do reinado de D. João V, atestando a religiosidade e relativo desafogo financeiro da comunidade piscatória local, que deixou testemunho do seu patrocínio numa cartela sobre a porta de entrada na sacristia. No teto da nave, destaca-se, no medalhão central, a pintura Assunção de Nossa Senhora, da autoria de José Malhoa, datada de 1900. Também Pereira Cão aqui deixou testemunho da sua obra, num conjunto de azulejos produzidos em 1908.
Arquitetura Religiosa - Igreja da Misericórdia
Ainda que se desconheça a data de fundação deste templo, a pequena capela dedicada a Santo André, forrada de azulejos, que alberga a pia batismal, possui uma lápide sepulcral datada de 1622. A sua antiguidade é, ainda, atestada pelas quatro tábuas que integravam o retábulo quinhentista, de 1590, da capela-mor da primitiva igreja, atribuído ao pintor Cristóvão Vaz: Cristo com a cruz às costas, Ressurreição, Nossa Senhora da Misericórdia e Visitação. Na capela-mor, adornada por pintura marmoreada, destaca-se a imagem da padroeira da irmandade: Nossa Senhora dos Anjos, escultura em madeira policromada do nal do século XVII. Mercê da destruição provocada pelo terramoto de 1755, o edifício seria reedi cado entre 1759 e 1781, cando, no entanto, por acabar as duas torres laterais da fachada.
Arquitetura Religiosa - Igreja da Misericórdia
Arquitetura Religiosa - Igreja da Misericórdia
Arquitetura Religiosa - Ermida de Nossa Senhora da Guia
Ainda que sob o arco triunfal desta ermida se encontre a lápide sepulcral de António Ribeiro da Fonseca, datada de 1577, este edifício é, decerto, mais antigo, como o atestam diversos elementos arquitetónicos manuelinos, entre os quais se destaca o seu pórtico, antecedido por uma galilé com três arcos de volta perfeita. Na capela-mor salienta-se o notável revestimento azulejar do século XVIII, que cobre as paredes laterais até à altura das janelas, representando duas cenas marianas: O Nascimento de Cristo e A Assunção da Virgem. Já os altares colaterais estão forrados de painéis de azulejos do século XVII, sobre os quais se exibem duas pinturas sobre madeira com a representação da Adoração dos Pastores e da Adoração dos Magos, da autoria do pintor Cristóvão Vaz, parte do antigo retábulo do século XVI.
Arquitetura Religiosa - Ermida de Nossa Senhora da Guia
Arquitetura Religiosa - Ermida de Nossa Senhora da Guia
Arquitetura Religiosa - Igreja e Convento de Santo António
O convento foi edificado em meados do século XVI, no terreno doado, em 1527, à Ordem de S. Francisco, por Luís da Maia. Inicialmente, a igreja era de nave única, vindo depois a ser enriquecida com três altares, entre os quais se destaca o consagrado a Nossa Senhora da Boa Nova. A destruição provocada pelo terramoto de 1755 conduziria à reconstrução do conjunto. Desta forma, três anos depois o altar-mor da igreja estava já concluído, bem como o projeto da nave, que incluía os três grandes janelões voltados a sul. No seu interior destaca-se um dos mais ricos acervos azulejares de todo o concelho, com particular relevo para os dois painéis que ladeiam a porta da igreja, da fase inicial rococó, representando episódios da vida de Santo António e ainda a intervenção pictórica do teto, realizada pelo pintor Carlos Bonvalot, em 1927, depois de um incêndio ocorrido no templo.
Arquitetura Religiosa - Igreja e Convento de Santo António
Arquitetura Religiosa - Igreja e Convento de Santo António
Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Domingos de Rana
Consagrada a S. Domingos de Gusmão, a antiga igreja é já referida como «sagrada de tempo imemorial», por Frei Luís de Sousa, em 1623. A grande destruição provocada pelo terramoto de 1755 levou à construção do templo atual, cujas obras apenas seriam concluídas em 1838, data inscrita na torre sineira. De grande escala volumétrica, consentânea da arquitetura do seu tempo, carateriza-se por linhas simples e austeras, cujos pormenores decorativos foram reservados à fachada principal. O teto da nave era decorado com uma pintura de Pedro Alexandrino de Carvalho, que se perdeu por ocasião de obras promovidas em 1964. Do notável acervo pictórico do templo destaca-se o conjunto de pintura tardo-maneirista, único no concelho, assim como o grande painel da capela-mor com representação da Última Ceia, da autoria de Pedro Alexandrino de Carvalho.
Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Domingos de Rana
Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Domingos de Rana
Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Vicente de Alcabideche
Este templo constitui um elemento estruturante do urbanismo de Alcabideche desde a Baixa Idade Média, como o revelam as estelas que monumentalizavam a cabeceira das sepulturas encontradas no antigo cemitério do adro, parcialmente escavado. A atual igreja é fruto de uma reconstrução iniciada presumivelmente em 1759, data inscrita sobre a porta principal, devendo ter sido concluída em 1780, ano a que remonta a Capela das Almas. A simplicidade do templo contrasta com a relevância do seu espólio artístico, de que se destacam as imagens de Santiago, S. Sebastião e S. João, do período tardo-medieval e o famoso tesouro da igreja, constituído durante séculos em honra de Nossa Senhora do Cabo, do qual faz parte uma cruz processional do século XV, que hoje se preserva no Museu Nacional de Arte Antiga.
Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Vicente de Alcabideche
Arquitetura Religiosa - Igreja de S. Vicente de Alcabideche
Arquitetura Religiosa - Igreja de Nossa Senhora dos Remédios
Em honra de Nossa Senhora dos Remédios, este templo com fachada do século XVII apresenta uma pouco habitual disposição planimétrica, que contraria a orientação canónica para poente, sendo os seus painéis azulejares, parcialmente saídos das mãos do pintor Gabriel del Barco, em 1690, considerados o mais impressionante exemplo da in uência hindu na azulejaria barroca portuguesa. Espoliado de parte do seu património durante a I República, o excecional acervo azulejar apenas se manteria por intervenção direta das autoridades, em 1918. Entre as suas alfaias religiosas, à guarda do Museu Nacional de Arte Antiga, merece especial destaque uma valiosa custódia do século XVIII.
Arquitetura Religiosa - Igreja de Nossa Senhora dos Remédios
Arquitetura Religiosa - Igreja de Nossa Senhora dos Remédios
Arquitetura Religiosa - Convento de Nossa Senhora da Piedade
A capela do Fundador ou do Proto-Patriarca do Convento de Carmelitas Descalços, concluído em 1641, é o elemento mais bem conservado do primitivo edifício. O templo principal mantém, ainda, a planta em cruz latina, com transepto ligeiramente saliente e a capela-mor pouco profunda. Já as dependências conventuais foram muito alteradas ao longo dos tempos, nomeadamente ao nível do claustro e dos espaços comunitários especí cos que para aí con uíam, apenas identi cáveis ao nível do registo arqueológico. Muito dani cado pelo terramoto de 1755, continuou a albergar religiosos até 1834, ano em que foi extinto. Um pouco antes de 1873, tanto o edifício como a extensa cerca que se desenvolvia para ocidente, passaram para a posse dos Viscondes da Gandarinha, que construíram um conjunto de casas de veraneio a partir das pré-existências conventuais. O imóvel, propriedade municipal desde 1977, foi requali cado para a instalação do Centro Cultural de Cascais, em 2000, sob projeto do arquiteto Jorge Silva.
Arquitetura Religiosa - Convento de Nossa Senhora da Piedade
Fortificações
Por se reconhecer que o Castelo, densamente habitado, já não cumpria as funções militares, em 1488, o Rei D. João II ordenaria a construção, na ponta do Salmodo, da «Torre de Cascais, com sua cava, com tanta e tão grossa artilharia», que cedo se transformou na principal fortificação da vila. Esta estrutura, de transição entre o castelo medieval e a fortaleza abaluartada, encontra, pois, a sua principal mais-valia na localização junto ao mar, razão pela qual deve ter passado a ser conhecida por Torre de Santo António, por então assim se designar a costa do Estoril. Na madrugada de 30 de julho de 1580, o exército espanhol, comandado pelo Duque de Alba, desembarcou cerca de 1 500 homens entre o Cabo Sanxete e a Guia, atacando Cascais, a fim de conquistar Lisboa para colocar Filipe II no trono de Portugal. A fortaleza que defendia a vila foi tomada no dia seguinte, entre pilhagens não controladas. A 2 de agosto, aprisionado D. Diogo de Meneses, general supremo das tropas lusas por nomeação de D. António, Prior do Crato, era decapitado em Cascais, numa cerimónia destinada a demonstrar aos portugueses qual o destino dos adversários do futuro monarca... Consciente das de ciências defensivas da região, D. Filipe I de Portugal ordenaria o levantamento da planta de Cascais e de uma carta da costa até S. Julião da Barra. Estes desenhos inserem-se no projeto de reforço das capacidades defensivas da Torre de Cascais, de cujo abaluartamento resultaria, nos finais do século XVI, a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, de traçado triangular, pouco comum no nosso país, que veio a ser integrada, depois de 1640, na Cidadela de Cascais. Proceder-se-ia, ainda, à construção do Forte de Santo António da Barra, nas imediações do futuro S. João do Estoril, com projeto gizado por Casale em 1590.
Fortificações - Fortaleza de Nossa Senhora da Luz
Fortificações - Forte de Santo António da Barra
Fortificações - Forte de Santo António da Barra
Fortificações - Forte de Santo António da Barra
Fortificações
Fortificações
Após a Restauração da Independência, em 1640, os portugueses investiram na fortificação da região pela qual se processara a investida que lhes havia custado o trono durante seis décadas. Sob a direção de D. António Luís de Meneses, Conde de Cantanhede – que fora encarregado da defesa da Barra do Tejo, principal porta de acesso à capital – ampliaram-se e restauraram-se as fortficações existentes, levantando-se, ainda, mais de uma dezena de baluartes entre o Guincho e Carcavelos, de que os Fortes de S. Jorge de Oitavos e de Santa Marta, hoje musealizados, constituem importantes exemplos. De entre as estruturas então construídas importa destacar a Cidadela de Cascais que, agregando a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, reforçou consideravelmente a defesa deste ponto estratégico da costa. Apesar de o anteprojeto de alargamento remontar ao período filipino, apenas parece ganhar fôlego a partir de 1641, sob a direção de Simão Mateus e depois de Philipe Guitau, a quem se sucederam João Pascásio Cosmander e Nicolau de Langres. Não obstante em 1675 as suas muralhas continuarem em construção, o conjunto das restantes forti cações que então se decidiu edificar foi maioritariamente concretizado até ao final da década de 1640, em face da simplicidade estrutural adotada.
Fortificações
No dia 1 de novembro de 1755, um violento tremor de terra devastou o concelho de Cascais. De acordo com Frei António do Espírito Santo, religioso que habitava no Convento da Piedade, que descreveu os efeitos do cataclismo na vila, o terramoto fez-se sentir por nove minutos e transformou «a grande povoação [em] um insensível e frio cadáver do que havia sido e uma desfeita cena do que já não era». Em 1758, o Cura da Ressurreição de Cristo, António Inácio da Costa Godinho, não hesitaria registar que «de todas as terras foi esta a que experimentou maior ruína», pois todos os edifícios do concelho sofreram com o abalo, como as Igrejas da Ressurreição, da Assunção e da Misericórdia e o Convento de Nossa Senhora da Piedade, em Cascais, o Convento de Santo António, no Estoril, ou as Igrejas de S. Domingos de Rana, de S. Vicente de Alcabideche e de Nossa Senhora dos Remédios, em Carcavelos. Na verdade, nem mesmo os locais de culto escaparam à hecatombe, que muitos acreditaram ser castigo divino... Os últimos vestígios da destruição provocada por este terramoto só desapareceram definitivamente da malha urbana no primeiro quartel do século XX, quando o troço final das ruínas do Palácio dos Marqueses de Cascais cedeu lugar à casa do Conde de Monte Real, junto à curva da atual Avenida D. Carlos I.
Arquitetura Vernácula
A privilegiada situação geográfica de Cascais, que se imporia enquanto porto de pesca, de abrigo e de refresco à escala regional, transformou os pescadores num dos símbolos do concelho. Todavia, durante séculos, a agricultura constituiu a principal atividade dos seus habitantes, ainda hoje testemunhada por equipamentos como as azenhas e os moinhos, que o poeta Ibn Mucana já referenciava, em Alcabideche, no século XI.
Arquitetura Vernácula
Aos trabalhos agrícolas associa-se a gura do saloio, herdeiro da tradição árabe do amanho da terra, que desenvolveria uma cultura própria, traduzida nos seus costumes, crenças, linguagem e vestuário, que marcou também a paisagem do concelho ao difundir uma arquitetura popular, dita saloia, que ainda hoje detém núcleo de especial interesse em Manique de Baixo. Solidamente erguido em alvenaria de pedra, o volume cúbico da casa saloia é normalmente rematado com telhado mourisco. Caiada, de um ou dois pisos ou torreada, dispunha de logradouro quase sempre delimitado por muros de alvenaria de pedra seca ou argamassada. Note-se que a extração e preparação da pedra ocupavam, então, parte substancial da população, em função da riqueza geológica do concelho, com destaque para os “mármores” apinhoado, busano e bastardo ou a célebre pedra calcária denominada azulino de Cascais. Ainda hoje, no Cemitério de S. Domingos de Rana se encontram alguns jazigos executadas com esta pedra, cuja simbologia testemunha também, de forma inequívoca, a arte dos canteiros, que moldaram a história do município. A vinha constituía a cultura mais emblemática do concelho, pela fama do vinho de Carcavelos, conhecido internacionalmente, pelo menos desde os finais do século XVIII e com a primeira exportação conhecida para Inglaterra em 1673. Entre as principais quintas que se dedicaram também à sua produção destacam-se a Quinta do Barão, Nova de Santo António, da Alagoa, da Bela Vista, da Cartaxeira, do Lameiro, dos Pesos, da Ribeira, dos Chaínhos e da Samarra.
Arquitetura Vernácula
A 30 de novembro de 1807 Cascais foi ocupado pelas tropas francesas de Junot, chefiadas pelo Barão Maurin, que por aqui se manteriam até 2 de setembro do ano seguinte, quando, na sequência da assinatura da Convenção de Sintra, que a tradição diz ter sido negociada em Cascais – eventualmente no edifício que depois viria a ser designado por Palácio dos Condes da Guarda – a esquadra britânica avançou pelo Tejo, para tomar as fortalezas de Cascais, S. Julião da Barra e Bugio. O núcleo primitivo da vila manteria a sua malha urbana quase inalterada desde o século XV até à atualidade. Não obstante a expansão a que se assistiu nos séculos XVI e XVII até ao fatídico ano de 1755, após esta data seguir-se-ia um período de letargia, que se acentuou com a extinção das ordens religiosas e a retirada do Regimento de Infantaria 19. O mesmo deve ter sucedido nas localidades do interior do concelho que, certamente menos afetadas pela destruição provocada pelo terramoto, puderam assegurar a manutenção das atividades tradicionais que desde a Idade Média constituam a base da sua subsistência.
Quintas e Palácios - Quinta do Barão
Esta Quinta, que remonta ao século XVIII, foi fundada por Jacinto Isidoro de Sousa. A sua viúva vendeu a propriedade em 1794 ao Barão de Mossâmedes, vindo a destacar-se pela produção do afamado vinho de Carcavelos. O solar, que remonta à mesma época, foi sendo sucessivamente intervencionado, principalmente com uma grande campanha de obras em 1944, sem que, no entanto, se assistisse à sua descaraterização arquitetónica, como o denunciam os magní cos painéis azulejares de diferentes estilos, que marcam as várias épocas das intervenções. Com três pisos e vãos que não respeitam uma simetria absoluta no alçado nascente, a casa reveste-se de especial interesse no alçado sul, com dois lanços de escadas que convergem num alpendre de acesso ao primeiro piso, emoldurado por painéis azulejares com molduras policromas de concheados rococó e cenas figurativas a azul e branco. No interior observam-se silhares de azulejos de diversas épocas e estilos, sendo de salientar a existência de dois painéis onde o cereal é apresentado a amarelo, numa sala dedicada à temática do trabalho. O jardim a poente da casa senhorial é marcado pela variedade das espécies vegetais em presença, das quais várias centenares, que transformam esta propriedade num espaço único de fruição e lazer.
Quintas e Palácios - Quinta do Barão
Quintas e Palácios - Palácio dos Condes da Guarda
Mandado edficar por D. Inês Antónia da Cunha, em nais do século XVIII, este palácio é um dos edifícios mais representativos de Cascais e o único caso de arquitetura civil em Portugal em que foram aplicados nas fachadas painéis azulejares neoclássicos de temática religiosa. Entre estes destacam-se os que representam os Quatro Evangelistas – S. Marcos e S. Mateus, na fachada principal e S. Lucas e S. João, na fachada lateral – produzidos na Real Fábrica de Louça do Rato e pintados por Francisco de Paula e Oliveira. O edifício, depois designado por Palácio dos Condes da Guarda por ter pertencido a esta família no século XIX, seria utilizado para outras funções após a sua venda, em 1917. Serviu, assim, enquanto casino e alojou diversos estabelecimentos comerciais e uma estação de correios, até que em 1940 aí se instalaram os Paços do Concelho. Entre as intervenções então promovidas para acomodar a Câmara Municipal destaca-se a decoração de azulejos do salão nobre, pintados por Eduardo Leite e produzidos na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, obra que recria o estilo barroco joanino, com cenas campestres e marítimas. Do edifício primitivo manteve-se a decoração da escadaria, de nais do século XVIII, onde se inclui o magní co painel com gura de convite. Em 1966, o palácio seria ampliado, ocupando a área onde funcionara o célebre restaurante A Marisqueira.
Quintas e Palácios - Palácio dos Condes da Guarda
Quintas e Palácios
Quintas e Palácios - Paço de Cascais
A estada da família real consolidou-se a partir de 1870, na sequência da adaptação de parte da Cidadela no despretensioso Paço de Cascais, onde a Corte se passou a instalar em meados de Setembro. Mercê desta presença sazonal, a vila transformou-se na capital do lazer em Portugal, introduzindo e promovendo modalidades desportivas como a vela, o remo, a natação, o ténis ou o futebol. Assumiu, ainda, pioneirismo na divulgação de avanços tecnológicos, como sucederia, por exemplo, em 1878, ao promover-se na Cidadela a primeira experiência de iluminação pública elétrica em Portugal, por ocasião do aniversário do Príncipe D. Carlos.
Quintas e Palácios - Paço de Cascais
O projeto de adaptação da Cidadela de Cascais enquanto residência sazonal da Família Real portuguesa, a partir de 1870, foi entregue a Joaquim Possidónio Narciso da Silva. Para o efeito, o arquiteto gizaria a ligação das Casas do Governador da Cidadela ao Pavilhão de Santa Catarina, que con nava com a Praça de Armas, redimensionando salas, decorando vestíbulos e salões e criando um salão de banquetes e uma ligação direta para o coro alto da Capela de Nossa Senhora da Vitória. Embora de dimensões modestas e sem os luxos que caraterizavam outros palácios reais, o Paço de Cascais teria algum requinte, sobretudo ao nível dos acabamen- tos, pelo recurso a materiais de exceção, nomeadamente de madeiras exóticas. D. Luís veio a falecer, em 1889, no Paço de Cascais, sucedendo-lhe D. Carlos, que promoveu profundas alterações no edifício, onde instalou o primeiro laboratório português de biologia marinha, em 1896, mandando acrescentar, para o efeito, em 1902, um terceiro piso sobre o antigo Pavilhão de Santa Catarina, que transformaria nos seus aposentos privados. Depois da Implantação da República, o Palácio passou a receber os Presidentes da República, funcionando, mesmo, como residência o cial de Óscar Carmona, de 1928 a 1945, que aí mandou efetuar diversas obras, caso da transformação do terraço virado a nascente num salão de Inverno, da autoria do engenheiro Duarte Pacheco. Depois de muitos anos sem utilização, já em acentuado estado de degradação, o Palácio seria alvo de uma profunda intervenção de reabilitação e restauro, entre 2007 e 2008, com projeto do arquiteto Pedro Vaz. Cumpre hoje as funções de residência o cial do Presidente da República, assegurando simultaneamente o acesso às suas salas de aparato e dependências plenas de história, através de visitas guiadas, promovidas pelo Museu da Presidência da República.
Quintas e Palácios - Paço de Cascais
Teatro Gil Vicente e Paço Real
A partir de meados do século XIX, a moda dos banhos de mar, assente e, pressupostos terapêuticos, impôs as praias de Cascais enquanto destino privilegiado das classes mais abastadas, transformando-se, depois, numa forma de lazer, à semelhança do que sucedia em diversas estâncias balneares da Europa.. Todavia, a efetiva descoberta do litoral do concelho ficou sobretudo a dever-se à reconstrução da estrada para Oeiras, entre 1859 e 1864, que facilitou o acesso a Lisboa, e da estrada para Sintra, concluída em 1868. A frequência de Cascais revelou-se de cariz elitista, alcançando pela primeira vez em setembro de 1867 o estatuto de praia da Corte, pela preferência que lhe foi concedida pela Rainha D. Maria Pia e, depois, pelo Rei D. Luís. Para além do Passeio (hoje Jardim) Visconde de Nossa Senhora da Luz, onde o contacto com a natureza servia de argumento para a convivência, a vila passou a dispor, a partir de 1869, do Teatro Gil Vicente.
Teatro Gil Vicente e Paço Real
Inaugurada a 19 de setembro de 1869, a expensas de Manuel Rodrigues Lima, esta sala de espetáculos, que foi, desde cedo, palco dos mais importantes eventos culturais da vila, veio, depois, a ser administrada pela Associação Huma- nitária e Recreativa Cascaense, atual Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascais. Seguindo as linhas clássicas do palco à italiana, o edifício é um corpo retangular com fachada principal na face mais curta, marcada por três portas emolduradas por cantaria, segundo um modelo oitocentista, a que sobrepõem janelas “de verga” semi-circular. A platibanda com balaustrada apresenta, ainda, jarrões de barro de barro, a ritmarem os segmentos de balaústres.
Arquitetura de Veraneio - Casa Palmela
Face à escassez de alojamentos dotados das condições exigidas pelos vilegiaturistas, habituados aos confortos da capital, assistiu-se à edificação de novas habitações, que se transformaram em imagens de marca do concelho, impondo , então, a chamada arquitetura de Veraneio. Esta arquitetura caracteriza-se pela assunção de um conjunto uido de opções construtivas e decorativas marcadas pelo ecletismo da época, que permitiria distinguir a casa de veraneio da habitação da cidade, vocacionando-a para o descanso e fruição da natureza e transformando-a num espaço em que o exotismo e a extravagância tantas vezes concorrem para a construção de um lugar mágico. Entre os seus primeiros e mais emblemáticos exemplares destacam-se a Casa Palmela, projetada em 1871, e a Casa Loulé, que em 1873 já se encontrava concluída, cujas opções construtivas e decorativas permitem distingui-las das habitações da cidade.
Arquitetura de Veraneio - Casa Palmela
Mandada edificar sobre o antigo baluarte seiscentista de Nossa Senhora da Conceição pelos Duques de Palmela, esta casa é uma das peças mais destacadas da arquitetura de veraneio em Cascais. O seu projeto foi elaborado, entre 1870 e 1871, pelo arquiteto inglês Thomas Henry Wyatt que, certamente de acordo com os encomendadores, optou por uma estética revivalista, de feição neogótica, que lhe valeu o epíteto de Abadia. Diversos recursos concretizaram essa intenção: o uso da pedra que cobre todos os alçados e debrua os ângulos e os vãos; as sóbrias molduras que separam os andares; os inclinados telhados que modelam os diversos corpos, acrescentando, à sua aparente assimetria, a diversidade das suas guras compositivas; a austeridade do portal com molduragem neogótica; e a verticalidade do conjunto, assumida pelas trapeiras e pelos vãos retangulares ao alto que proclamam um expressivo sentimento de interioridade. A marca estética neogótica e a espiritualidade do edifício foram reforçadas, já na década de 1880, pela construção da capela, com projeto do arquiteto José António Gaspar, posteriormente alterado pelo arquiteto José Luís Monteiro.
Arquitetura de Veraneio - Casa de Santa Maria
A instalação da família real pareceu tornar a vila verdadeiramente merecedora do caminho-de-ferro até à capital, cujo projeto se efetivou em 1889, assumindo-se, desde então, como o mais poderoso instrumento de desenvolvimento do concelho, que se pôde afirmar definitiva e progressivamente enquanto estância turística de referência. A arquitetura de veraneio continuou a espraiar-se pelo litoral, surgindo, então, alguns dos seus mais emblemáticos exem- plares, casos da Torre de S. Sebastião e da Casa de Santa Maria, de Jorge O’Neill, hoje musealizadas; da Casa de S. Bernardo, do Conde de Arnoso; ou das habitações dos Marqueses do Faial, de Joaquim da Silva Leitão, do Conse- lheiro Luís Augusto Perestrelo de Vasconcelos e de Francisco Augusto Trindade Baptista. Igualmente mandada edi car por Jorge O’Neill, em 1902, nas imedia- ções do Farol de Santa Marta, o seu projeto, da autoria de Raul Lino, moldou-se à paisagem deste lugar extraordinário, aberto a um mar quase domesticado, jorrante de luz azul, em que o arquiteto traduz a sua re exão sobre a arquitetura tradicional do sul do país, devedora da cultura mediterrânica e com fortes in uências mouriscas. Em 1918, a casa seria ampliada para acolher uma extraordinária coleção de azu- lejos de nais do século XVII, oriundos de uma capela demolida. Nesse período, já Raul Lino uni cara a sua pesquisa formal e estética na síntese da “Casa Portuguesa”, que considerava matriz imperativa para a arquitetura doméstica nacional. Desmultiplicou, então, os corpos da casa, assim como as suas aberturas, alpendres e telhados, dinamizando também a linha da cércea, pela verticalização das chaminés, da “torre” de fresco e de um pitoresco pombal. Em 2004, a Câmara Municipal de Cascais adquiriu o imóvel à família Espírito Santo, transformando-a num equipamento cultural de fruição pública.
Arquitetura de Veraneio - Torre de S. Sebastião
Este palacete, que Jorge O’Neill mandou construir no início do século XX, constitui um exemplo de ecletismo, uni cador de várias linguagens arquitetónicas, que lhe conferem um enorme sentido de monumentalidade. Com desenho executado em 1897 pelo cenógrafo Luigi Manini, viria a ser efetivamente projetado, cerca de 1900, pelo pintor Francisco Vilaça, imprimindo-lhe um carácter cenográ co que se enquadra na paisagem e concentra nas fachadas-cenário todo o esforço decorativo. A propriedade viria, depois, a ser adquirida pelo Conde de Castro Guimarães, que, por testamento, a doou ao Município de Cascais para a instalação de um Museu-Biblioteca, inaugurado em 1932. Apresenta planta irregular, em que se destaca o claustro e a torre, de poderoso embasamento, pontuada por elementos manuelinos e terminando em cobertura cónica, sobre o último piso, dotado de pequenas varandas panorâmicas. Merecem, ainda, especial destaque o jardim de cariz romântico, dotado de lago, caminhos sinuosos e fontes decoradas com painéis de azulejo do século XVIII, cuja temática aponta para a proveniência de um extinto convento. O conjunto é, ainda, comple- tado pela Capela de S. Sebastião, que remonta ao século XVI, na qual se destaca o invulgar frontal do altar-mor, de azulejo gurado policromo, azul e amarelo, representando S. Sebastião.
Arquitetura de Veraneio - Casa Maria Pia
O final do século XIX é também marcado pelo projeto de urbanização do Monte Estoril, a antiga costa de Santo António, conduzido pela Companhia Monte Estoril, a partir de 1888, em função do caminho-de-ferro. A sua imposição enquanto centro de vilegiatura de primeira ordem, frequentado pela aristocracia e burguesia abastada, seria facilitada pela instalação da Rainha D. Maria Pia, a partir de 1893. Ainda que a Casa D. Maria Pia marcasse a sionomia da nova localidade, seriam sobretudo os seus casinos, o Grand Hotel (Estrade) e o Grand Hotel d’Italie os grandes responsáveis pela divulgação e afirmação do Monte Estoril. Mercê da fama dos Banhos da Poça, administrados pela Santa Casa da Misericórdia de Cascais, na década de 1880 assistiu-se, também, à edi- cação das primeiras habitações na região que desde 1890 se passou a designar S. João do Estoril e cujo desenvolvimento, ao contrário do vizinho Monte Estoril, se deveu a múltiplas iniciativas individuais, que obliterariam qualquer noção de conjunto. O desenvolvimento de Cai-Água, futuro S. Pedro do Estoril, cou a dever-se à iniciativa do capitalista Abílio Nunes dos Santos, proprietário dos Grandes Armazéns do Chiado, que aí adquiriu terrenos e edi cou habitações, divul- gando o lugar, ao sortear, em 1905 e 1906, os Chalet Ideal nos 1 e 2, como prémio aos clientes do seu estabelecimento... Em 1872 iniciou-se um novo ciclo de desenvolvimento em Carcavelos, quando os descendentes do Morgado da Alagoa venderam a Quinta Nova de Santo António para a xação da companhia inglesa responsável pela montagem de uma estação de transmissão e retransmissão de ligação telegrá ca elétrica submarina entre a Inglaterra e a Índia. Esta casa, ainda hoje imagem de marca do Monte Estoril, foi adquirida a João Henrique Ulrich, em 1893, pela Rainha D. Maria Pia, para utilização durante o período do ano consagrado aos banhos de mar. No entanto, em função da sua privilegiada localização também viria a ser utilizada durante grandes períodos no inverno, assumindo, então, a designação de Paço do Estoril. Para acomodar condignamente a Rainha, seria alvo de grandes obras internas, concluídas em 1895, sob direção do arquiteto Rosendo Carvalheira, em que se salientam as intervenções realizadas em talha e marcenaria por Frederico Augusto Ribeiro e as pinturas murais de António Ramalho. Característico chalet de m de século, de planta irregular, formado pelo adossamento de diversos corpos de distintas formulações planimétricas, distingue-se pelo telhado de duas águas e o pequeno torreão com telhado em coruchéu octogonal, revestido com telha cerâmica vidrada, de cor preta à data, com decorações geométricas a azul e branco, hoje desaparecidas. O alçado principal possui quatro andares, desenvolvendo-se inferiormente um terraço suportado por soluções de ferro forjado. No seu interior, a decoração espelhava ambientes ecléticos muito ao estilo da segunda metade do século XIX, ainda que neles prevalecesse o estilo Luís XV, o preferido da soberana.
Saúde e Turismo - Hotel Palácio
A partir de 1890, a parede, localidade desde há muito associada à extração e preparação da pedra, assistiria ao nascimento de uma nova área, entre o caminho-de-ferro e o oceano, por iniciativa do republicano José Nunes da Mata, que traçou com régua e esquadro a malha urbana, de forma a que a vista de mar pudesse ser partilhada por todos. Divulgou-se, depois, por intermédio do Sanatório de Sant'Ana, idealizado por Amélia e Frederico Biester e concretizado por Amélia Claudina de Freitas Chamiço, cuja primeira pedra seria lançada em 1901. Em função do desenvolvimento da Parede, que se assumiu enquanto área privilegiada para a cura e pro laxia de vários males físicos, por intermédio do mar e do sol, tam- bém Cai-Água, que a partir de 1927 se passou a designar por S. Pedro do Estoril, veria aumentar o número de visitantes à sua praia resguardada por amena enseada, como o atesta a instalação da benemérita Colónia Balnear Infantil de O Século nesse mesmo ano. Até à apresentação do projeto Estoril: Estação Marítima Climatérica, Termal e Sportiva, em 1914, a localidade então conhecida por Santo António do Estoril fora sobretudo recomendada pelas suas termas, sendo ainda procurada para banhos de mar, aos quais se deveu a construção de belíssimos exemplares da arquitetura de veraneio. A ambicionada internacionalização da região enquanto destino turístico começou a cumprir-se por intermédio do projeto conduzido por Fausto Cardoso de Figuei- redo e Augusto Carreira de Sousa, na sequência da aquisição da Quinta do Viana e do convite ao arquiteto Henri Martinet para o desenvolvimento de um ambicioso projeto, dotado de equipamentos coletivos orientados para as atividades do lazer, com especialização médica e climática, nomeadamente três hotéis, novas termas, casino, teatro, palácio de desportos, edifício para banhos de mar, estabelecimentos comerciais, galerias cobertas e amplo jardim, dispostos em território virado para o mar. Este hotel constituía um dos equipamentos estruturantes do projeto encomendado, em 1914, ao arquiteto Henri Martinet, a quem se seguiu António Rodrigues da Silva Júnior. Inaugurado em 1930, sob a direção do arquiteto Raul Jourde e do decorador M. Fitté, o edifício, cuja fachada principal apresenta dois amplos corpos salientes, descentrados e de linhas claras, tinha quatro andares e dispunha de duzentos quartos. Durante a II Guerra Mundial foi frequentado por espiões, políticos, negociantes, artistas e desportistas, assim como por reis, rainhas e destacados membros das principais famílias reais europeias, exiladas em Cascais. O momento mais alto da vida social do hotel ocorreria, em 1955, quando foi escolhido para servir o banquete de casamento do Príncipe Alexandre da Jugoslávia e da Princesa Maria Pia de Saboia, lha do Rei Humberto II de Itália. As obras de remodelação, iniciadas na década de 1950, dotariam a unidade de um quinto andar e de uma nova ala, construída de raiz, com cozinha e sala de refeições. Ainda hoje este edifício mantém toda uma ambiência que nos remete para o espírito da época em que foi construído.
Saúde e Turismo - Colónia Balnear Infantil de o Século
Em 1927, a Colónia Balnear Infantil de O Século acolheu trezentas crianças de famílias carenciadas nas antigas instalações da fábrica de conservas de Carlos Correia, defronte da Praia de S. Pedro do Estoril, de forma a proporcionar-lhes um período de lazer junto ao mar. Todavia, mercê da necessidade de adaptação do espaço à sua nova função, apenas em 1932 as crianças voltaram a usufruir destas instalações, que seriam ampliadas no ano seguinte, a expensas do Conde de Monte Real e, depois da construção da Avenida Marginal na década de 1940, dotadas de passagem pedonal subterrânea, com acesso direto à praia. Entre 1943 e 1945, resultado de uma campanha de angariação de fundos, a Colónia conti- nuou a ser ampliada e modernizada, transformando-se num equipamento modelar, adaptado às exigências da época e apetrechado, médica e disciplinarmente, para responder às necessidades de acolhimento de uma verdadeira multidão de crianças, num conjunto arquitetónico racional e sóbrio, inconfundivelmente modernista.
Saúde e Turismo - Sanatório de Sant'Ana
O antigo Sanatório de Sant’Ana, atual Hospital Ortopédico de Sant’Ana, conserva a sua imponência arquitetónica, destacando-se pela longa fachada, paralela à Avenida Marginal, que revela o gosto eclético da arquitetura portuguesa do início do século XX, ao qual se alia uma profunda capacidade funcional, bem expressa na articulação de espaços, serviços e equipamentos. O seu primeiro projeto foi concebido pelo arquiteto José António Gaspar, a quem se sucederia Rosendo Carvalheira. Iniciada a sua construção em 1901, teria a primeira ala inaugurada três anos depois, muito embora o sanatório apenas casse totalmente concluído em 1912. O edifício, hoje propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, desenvolve-se numa planta em forma de H. Na monumental fachada virada ao mar importa destacar os azulejos, cantarias e grades de ferro, que expressam extraordinário cuidado no desenho do pormenor. É, ainda, dotado de uma magní ca capela decorada por pintura mural de gosto neomedieval. No interior, reveste-se de especial interesse o espaço correspondente ao primitivo Jardim de Inverno, sala de nida por três corpos, articulados por arcos de volta perfeita e decorados por painéis de azulejo de inspiração Arte Nova, da autoria de Jorge Pinto.
Arquitetura Modernista
Mercê da oferta turística disponibilizada, o eixo Cascais-Estoril foi escolhido como local de passagem ou de exílio por muitas pessoas que aqui buscavam, antes, durante e depois da II Guerra Mundial a segurança que os seus países de origem já não garantiam. Finda a guerra, o concelho assumiu-se como local de exílio de reis destrona- dos. Em fevereiro de 1946 os Condes de Barcelona instalar-se-iam no Estoril. Em junho chegou o Rei Humberto II de Itália, que preferiu xar-se em Cascais. Já em outubro de 1947 foi a vez do Rei Carol II da Roménia também passar a residir no Estoril, a quem se sucedeu, um ano depois, o Almirante Horty, regente da Hungria e os Arquiduques da Áustria-Hungria. Este período foi marcado pela construção de diversas moradias nos lotes vendidos no Parque Estoril, seguindo já as tendências da nova arquitetura modernista. Desta forma, para além de habitações unifamiliares assistiu-se, também, à cons- trução de importantes equipamentos públicos, caso do edifício dos Correios do Estoril, em 1942. Concluído em 1948, o Plano de Urbanização da Costa do Sol integrava a Estrada Marginal e previa a criação de uma nova entrada em Cascais, gizada pelo arquiteto Filipe Nobre de Fi- gueiredo, com modernos edifícios comerciais, de serviços e para habitação, aos quais se associaria, em 1952, o novo Merca- do, projetado pelo arquiteto Alberto Cruz, nas imediações da Ribeira das Vinhas, entretanto canalizada. A reformulação do centro da vila passou igualmente pela inauguração, em 1940, do Parque Marechal Carmona, a que se seguiu, no ano seguinte, a do Hospital Condes de Castro Guimarães e já em 1950, a do edifício da Lota e da Guarda Fiscal que deverão ter sido proje- tados por Paulo Cunha. Vastos territórios do concelho, até então destinados à lavoura ou votados ao abandono, seriam, então, tomados por um surto de expansão urbanística, à medida que antigos resi- dentes e novos migrantes que pretendiam organizar a sua vida na capital foram forçados a procurar habitação fora de portas, a custos mais acessíveis. Multiplicaram-se, desta forma, novas urbanizações em que as moradias de dois pisos cederam lugar a prédios de vários andares. Foi neste contexto que, por exemplo, em 1964 decorreu a inauguração do Bairro das Caixas de Previdência, na Parede. Em 1967 inaugurou-se o Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão, a que se sucedeu, no ano seguinte, o novo Casi- no Estoril, gizado pelos arquitetos Filipe Nobre de Figueiredo e José de Almeida Segurado. Em 1971 já o Pavilhão de Desportos de Cascais, projetado por Henrique Albino, recebia o primeiro Festival Internacional de Jazz, procedendo-se, em 1972, à inau- guração o cial do Autódromo do Estoril, ainda que incompleto. O enorme desenvolvimento urbanístico do concelho conduziria, em 1991, à inauguração da Autoestrada Lisboa-Cascais, num ano também marcado pela abertura ao público do CascaiShopping, o primeiro centro comercial regional em Portugal, a que se suce- deu, em 1999, a Marina de Cascais. No ano seguinte, o concelho seria nalmente dotado de um Palácio de Justiça adaptado às suas necessidades.
Arquitetura Modernista - Correios do Estoril
O edifício dos Correios do Estoril, obra do arquiteto Adelino Nunes com projeto datado de 1939 apenas seria inaugurado em 1942. A planta desenvolve-se em V, para melhor adaptação à forma do lote, com um jogo de materiais, superfícies e volumes que fazem deste imóvel uma das peças mais interessantes do modernismo do Estoril. Com dois pisos, as fachadas assimétricas, conformadas ao declive do terreno, salientam o volume cilíndrico da fachada principal, que é estruturante da volumetria exte- rior e articula interiormente a distribuição dos espaços. Abandonando a simetria, assumindo claramente o valor plástico das volumetrias e rejeitando, quase totalmente, o recurso a elementos decorativos como forma de animar as superfícies, o arquiteto demonstrou grande domínio dos valores modernistas, aproximando-se dos exemplos da arquitetura neoplasticista holandesa.
Arquitetura Modernista - Bairro das Caixas de Previdência
A construção deste Bairro na Parede é ilustrativa da mudança da política habitacional desenvolvida pelo Estado Novo nos nais da década de 1950, onde as pequenas habitações unifamiliares, agrupadas em redor de uma igreja protetora, cedem lugar a grandes bairros, onde predominam habitações coletivas. O Bairro das Caixas re ete esta alteração, caracterizando-se por uma forte homogeneidade social, que se associa ao ideal da Carta de Atenas de 1933, marcado por uma nova imagem urbana, fortemente zoni cada e na qual predominam os grandes blocos habitacionais espaçados, de desenho depurado, puramente racionais. O arquiteto Ruy Jervis d’Athougia, pioneiro na divulgação destes conceitos em Portugal, soube expressar no projeto do Bairro, assente nos conceitos expressos na Carta de Atenas, na qual a arquitetura se centra nos valores da habitabilidade, deixando de ser um mero exercício de estilo. Edi cado sob uma antiga pedreira, é constituído por 20 prédios num total de 160 fogos, afastados entre si e estrutu- rados perpendicularmente à Avenida Gago Coutinho, possibilitando, assim, uma maior solarização e insonorização.
Arquitetura Modernista - Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão
Com programa funcional desenvolvido pelo Dr. Santana Carlos e projeto de arquitetura concebido por Formosinho Sanchez, em 1956, a direção da obra desta unidade de saúde, destinada ao tratamento e recuperação de de cientes motores, foi entregue ao engenheiro José Maria Ferreira da Cunha. Edi cada a expensas da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa entre 1956 e 1966, trata-se de uma obra de arquitetura pioneira, marcada por valores do modernismo internacional, que acentua a visibilidade dos ele- mentos construtivos, temperada por ideias organicistas, elegendo materiais naturais e apostando numa integração na natureza e espírito do lugar. Criaram-se, então, efeitos de transparência entre o exterior e o interior do edifício, tanto ao nível térreo, onde surgem elementos dos jardins enquadrados pelas aberturas, como nos planos mais elevados, em que se desfrutam vistas de mar e da Serra de Sintra. A a rmação desta “obra total” implicou, também, por exemplo, o controlo do projetista no arranjo paisagístico, a cargo de Ponce Dentinho, assim como no desenho do mobiliário.
Arquitetura Modernista - Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão
Cascais
Cascais: Memórias de Pedra e Cal (1364-2014)
x